domingo, 18 de maio de 2008

Lição número 1: usando meios escusos para fundar o amor.

Ontem saí de casa bem cedo, de manhã, dei comida para Dolores, a gata, fui ao cinema, não gostei do filme, fui jogar futebol, ganhei o jogo, fiz defesas sensacionais e estou na final. Daí pensei em passar na festa para tomar algumas cervejas e comemorar a vitória ou simplesmente tomar algumas cervejas sem motivo, mas decidido a voltar cedo para colocar comida para Dolores. Não voltei. Lá pras tantas, depois de grades de cerveja, de vodka, de pessoas dormindo por todos os lados, descolo uma carona super legal até o fim de mundo onde eu moro e começo a lembrar da gata. Provavelmente ela estava com fome e o leite já devia ter qualhado. No caminho, percebo que esqueci minha bolsa na festa, consigo falar com o dono da casa, não sinto falta de nada, só um livro e marco de ir pegá-la na segunda. Daí depois de um caminho com tremendas aventuras, comprei até um baguete, chego em casa e... percebo que a chave da porta estava na bolsa e a bolsa estava na casa do meu amigo. Quase que eu me jogo na piscina e esqueço que o mundo existe. A carona já tinha ido embora e eu fiquei fudidamente sozinho. Para me punir, resolvi ir andando, debaixo de uma puta puta puta chuva, de madrugada até a casa da minha mãe. O porteiro falou para eu deixar o celular com ele que era mais seguro, afinal "é o que geralmente os boys tão tomando dos outros por aí". Concordei. O trajeto era basicamente a Universidade Federal de Pernambuco. Como eles fecham os portões a partir de meia noite, sim, eu tive que pular a grade, ir andando naquele lugar inóspito, comer baguete, passar pelo laguinho do terror, pisar nas lamas do inferno e passar pelo buraco do bigode. Ninguém me importunou, ninguém me roubou, ninguém me estuprou e finalmente cheguei em casa. Ensopado. Graças a Deus minha mãe estava na praia e entrei sorrateiramente. Dormi na cama do meu irmão esperando que minha gata não morresse de fome. Acordei às 09:00 em ponto, peguei o carro (estava sem habilitação, pois minha carteira estava na porra da bolsa), fui na casa do meu amigo, peguei a bolsa, voltei louco pra casa, passei antes na padaria, peguei meu celular, cheguei na frente da porta vermelha da minha casa e comecei ouvir o choro da gata. Tadinha, mas ao menos estava viva. No começo da história, fiquei super noiando que ia abrir a porta e ter um cadáver de uma gata de três meses na minha sala. Acho que Gabriela ia me expulsar de casa na sequência. Daí eu dei comida pra ela, botei leite, troquei a areia, fiz carinho, chamei de fofinha, brinquei, assistimos filme juntos e simplesmente percebi que tudo isso foi ótimo para nossa relação. Meu olhar felino foi atiçado na hora.

Tudo não passou de um grande golpe: quem apareceu pra dar comida, leite e afeto quando Dolores estava nas últimas morrendo de fome? Eu. Genial. Como não tinha pensado nisso antes? Foi ótima essa estratégia de fazê-la passar fome, achar que estava sozinha para sempre e depois chegar com a comida e com a simpatia na ponta dos dedos. Funciona totalmente. Se ela já me amava muito e tinha me escolhido como favorito, imagina agora. Tudo bem, é recíproco, mas recomendo do mesmo jeito.

Agora ela está ali, toda encolhida, na frente do ventilador, viva e num sono profundo pós refeição.

2 comentários:

Carol Chaves disse...

Muito bom esse post de hj...mas na moral... não era meio óbvio que tu tinha deixado a chave na bolsa n??? Como tu entrasse na casa da tua mama?

=****

Marco disse...

cretinamente engraçado!