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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Artigo

Estou esperando há algum tempo para divulgar a publicação do artigo 'Consumo cinéfilo e cultura contemporânea: um panorama", recorte quase completo da introdução de minha dissertação de mestrado defendida em março. O artigo está disponível online no volume 17 da revista Logos vinculada ao Programa de Pós Graduação em Comunicação da UERJ. O tema desta edição semestral é 'Comunicação e Audiovisual' e teve como editor convidado o Prof. Dr. Erick Felinto. Segue o resumo:

O presente artigo introduz o leitor no universo da cinefilia que usa da internet como cinemateca colaborativa universal, colocando suas práticas de consumo em diálogo com discussões indispensáveis para entender a cultura contemporânea. Será focada a dimensão de cidades periféricas, onde espectadores conduzem suas buscas pela raridade dos filmes, fraturando o cenário de programação regido pela lógica dos Multiplex, cujas grades são montadas a partir da provável rentabilidade dos filmes.

Aqui o link direto.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Um novo olhar para o cinema

Fonte: Programa / Folha de Pernambuco / Cinema Escrito

Conheça os novos jovens turcos do Recife

LUIZ JOAQUIM

Você sabe quem é Apichatpong Weerasethakul? E Raoul Walsh? ou ainda Elem Klimov? Não? Qualquer um desses aí na foto acima não apenas sabe como pode conversar horas sobre a obra destes e de outros cineastas. Em grupo ou individualmente, eles vêm atuando como uma nova geração de pensadores de cinema no Recife, gerando boas reflexões pela prática da crítica cinematográfica, seja por blog, sites ou ainda pelo jornal impresso.

Assim como Marcelo Gomes, Paulo Caldas, Adelina Pontual e Cláudio Assis e outras figuras que eram apenas promessas nos anos 1980, quando participavam do Cineclube Jurando Vingar, onde hoje funciona o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, uma parte do grupo na foto também pode figurar no futuro como um nome importante do audiovisual pernambucano. Alguns deles atuam no Cineclube Dissenso (curiosamente também no Cinema da Fundação). Um cineclube que, na verdade, nasceu das reuniões do grupo para discutir pautas críticas para seu blog (http://dissenso.wordpress.com).

"Fui convidando algumas pessoas em que acreditava para colaborar com o blog. Para estimular a ida às reuniões, definimos que a cada encontro alguém levaria um filme. Era sempre uma sessão surpresa, isso em 2008. Em maio de 2009 os horários disponíveis na UFPE foram complicando e passamos a nos encontrar na Fundaj, todo sábado às 14h", conta o jornalista Rodrigo Almeida, de 24 anos.

Ele é uma espécie de centralizador e também lançador do grupo Dissenso. Rodrigo leva tão a serio sua criação que a transformou em trabalho de conclusão do curso de jornalismo e ainda a utiliza como estudo de campo para sua dissertação de mestrado na UFPE, que deve defender em março próximo.

Entre as "pessoas em que acreditava" estavam os estudantes de jornalismo Hermano Callou, 20, Luís Fernando Moura, 21, - hoje estagiário de cultura do Jornal do Commercio -, e André Antônio, 21, - estagiário da produtora Símio Filmes. Nos três, o gosto pelo cinema vem desde a pré-adolescência. "Naquela época eu já escrevia sobre cinema, mas não na forma estruturada de uma crítica. A opção por estudar jornalismo passou por essa minha prática", recorda Callou.

André, que conheceu os colegas em uma oficina de linguagem e estética cinematográfica, conta que a experiência na Símio está lhe abrindo novos horizontes para a montagem cinematográfica: "Adoro pensar e escrever sobre cinema". Já Luís Fernando, apenas tem certeza que seu oficio tem a ver com filmes. "O que me atraiu nesse campo foi a possibilidade de produzir, mas terminei por me apaixonar pela reflexão sobre o cinema. É uma atividade que penso em investir, não sei ainda se pela ótica da realização ou da reflexão, acadêmica ou não", pondera.

Ainda no Dissenso - cujo site deve sofrer, em breve, atualização no design - participam, num grupo fixo, Paulo Faltay, Pedro Neves, Fernando Mendonça e Thiago Correia. Além destes, os encontros do Dissenso atrai outros jovens escritores de cinema no Recife, um deles é Hugo Viana, 25, estagiário de cultura desta Folha de Pernambuco, que também já realizou algumas oficinas de cinema, entre elas a de crítica promovida pelo Janela Internacional de Cinema. Ele define a experiência como um "ponto de virada" em sua iniciante carreira.

"No Janela conheci pessoas com visões diferentes da minha, o que só enriqueceu meu repertório. Antes analisava filmes de forma bem metódica. No curso me deparei com a urgência do tempo e o volume grande de filmes para analisar. O mesmo acontece no jornal quando me vejo obrigado a escrever sobre um filme que não gosto e daí percebo novos aspectos sobre o cinema e sobre mim mesmo", conta. Desejoso em ampliar seu conhecimento teórico, assim como Rodrigo, Hugo irá trabalhar na conclusão do curso investigando o mercado, a programação e a distribuição de filmes no Recife.

Foi também por uma oficina, sobre design para pôster de cinema, ministrada por Fernando Vasconcelos (do site Kinemail), que Filipe Marcena,21, deu seus primeiros passos na crítica. "Nunca havia pensado na crítica, até que Fernando me encomendou um texto e o resultado foi tão positivo que acabei sendo convidado para colaborar no site. Lá escrevo sobre lançamentos em DVD e eventualmente sobre algum lançamento nos cinemas", relembra Filipe, hoje estudante do curso de graduação em cinema da UFPE.

Já Osvaldo Neto,24, recebeu o estímulo para escrever a partir de um site que freqüentava, o "Boca do Inferno", passando, depois, a ser seu colaborador. Em 2006 criou o próprio blog, "Vá e Veja" (o nome é uma homenagem ao filme homônimo de Elem Klimov), e depois começou a participar do site Cine Flash. Uma das peculiaridades de Osvaldo é sua predileção por filmes "B", de baixo orçamento e independentes. "Claro que posso também apreciar uma superprodução ou filmes mais sofisticados mas, de certa forma, me dá prazer saber que talvez meu blog seja o principal canal do Recife que lida com o universo de filmes renegados", ressalta.

Uma das figuras mais interessantes nesse meio de jovens promissores chama-se Matheus Cartaxo, e não apenas pela pouca idade (17 anos), mas também pela sagacidade e impressionante demonstração de conhecimento e discernimento quando abre a boca para falar sobre cinema. "Meu interesse começou ainda muito criança, com os quadrinhos e literatura, depois (rindo) fui apresentado a 'Freddy Kruger' e, há dois anos, comecei a me aprofundar através de blogs que indicam filmes e livros".

Matheus, ainda no ensino médio, pretende prestar vestibular para cinema aqui e em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Até lá, vai cuidando de sua formação, ao mesmo tempo em que trabalha como editor-adjunto da "Foco: Revista de Cinema", cujo último volume é dedicado a Samuel Fuller e João Bénard da Costa. Lá, tem traduções que ele fez para o português de textos originais em inglês e francês, além de análises escritas pelo próprio Matheus. À propósito, você sabe quem foram Fuller e Bérnard da Costa?

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onde ler os jovens críticos

Dissenso
Rodrigo Almeida, Luís Fernando Mouta, André Antônio, Hermano Callou
(http://dissenso.wordpress.com)

Blog de Rodrigo Almeida
(http://www.velhoshabitos.blogspot.com

Foco: Revista de Cinema
Matheus Cartaxo
(http://focorevistadecinema.com.br)

Vá e Veja
Osvaldo Neto
(http://vaeveja.blogspot.com)

Cine Flash
Osvaldo Neto, Rafael Nogueira, Alexsandro Vasconcelos, Léo Peixe
(http://www.cineflash.com.br)

Kinemail
Filipe Marcena
(http://www.kinemail.com.br)

Folha de Pernambuco
Hugo Viana
(http://www.folhape.com.br)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Janela Internacional terá 80 curtas

Fonte: Caderno C / Jornal do Commercio

Fellipe Fernandes
ffernandes@jc.com.br

“Recife é uma cidade privilegiada na área de cinema e até 2008 não havia um festival que realmente abrisse espaço para filmes do mundo inteiro”, afirma um dos idealizadores do festival Janela Internacional de Cinema do Recife, Kleber Mendonça Filho (também crítico de deste JC). Com início antecipado para o dia 16 de outubro, o festival, que chega este ano à sua segunda edição e é realizado pela CinemaScopio Produções, teve a seleção de curtas anunciada na manhã de ontem. 72 filmes se dividem em duas mostras competitivas, a nacional e a internacional, além da Janela Pernambucana que exibe oito produções do Estado.

Segundo Kleber, “a safra nacional estava mais instigante que a estrangeira”. O crítico ainda completa: “Com certeza o melhor do cinema brasileiro continua sendo os curtas”. Ao lado dele, na curadoria da programação, estiveram a produtora Emilie Lesclaux (também organizadora do festival), o roteirista Luiz Otávio Pereira, o crítico de cinema Fernando Vasconcelos e o jornalista Rodrigo Almeida. “No ano anterior éramos apenas quatro para selecionar os filmes e vimos que precisávamos de mais uma pessoa”, explica Emilie. Ao todo, foram vistos cerca de 700 filmes para chegar à seleção final. Só foram aceitas produções feitas a partir de janeiro de 2008, mas que exploram os mais diversos formatos de captação, de celular a película.

Os curtas vão ser organizados por afinidades de temas e exibidos em blocos com duração aproximada de 60 minutos. “Ainda que os temas centrais tenham desdobramentos, o diálogo dos curtas entre si acabou se tornando um critério para a seleção”, esclarece Kleber. As sessões, que vão se dividir entre o Cinema Apolo e o Cinema da Fundação, são seguidas por debates com os realizadores. A programação do evento com os horários de exibição, os temas dos blocos e os filmes selecionados para a mostra de longas, além das sessões com focos especiais, devem ser divulgados nas próximas semanas. Mas os produtores adiantam que está sendo confirmada a participação de convidados internacionais.

OS TÍTULOS DA SAFRA

Entre os curtas selecionados figuram títulos que participaram de grandes festivais, como Cannes, Oberhausen e Veneza. “A maioria dos festivais exibe os mesmos filmes. Nós vamos exibir alguns desses, mas a maioria dos curtas não foi vista. Prezamos pela qualidade das obras mesmo”, argumenta Kleber. Obras estrangeiras como A letter to uncle Boonmee, do tailandês Apichatpong Weerasethakul, e Horn dog, do americano Bill Plympton, marcam presença na seleção. Da mostra competitiva nacional, Chapa, do paulista Thiago Ricarte, que participou do Festival de Cannes, e Teu Sorriso, do carioca Pedro Freire, que participou dos festivais de Veneza e Gramado e conta com Paulo José como protagonista, são alguns dos destaques.

Os curtas pernambucanos Superbarroco, de Renata Pinheiro, Nº 27, de Marcelo Lordello, e Sentinela, de Cristiano Lenhardt, participam da mostra competitiva nacional. Kleber, entretanto, lamenta: “Havia diversos filmes bons do Estado que gostaríamos de exibir, mas, por um motivo ou outro, não se encaixavam na mostra competitiva”. Dessa forma surgiu a Janela Pernambucana, que conta com a exibição de curtas como São, de Pedro Severien, Confessionário, de Leonardo Sette, e a estreia das obras Tchau e bênção, de Daniel Bandeira, e Sessão especial – o ébrio, de Hugo Carneiro Coutinho.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Janela de Cinema terá 150 filmes


O novo festival de cinema acontecerá entre os dias 22 e 29 de outubro nas salas da Fundação e do Parque.

A 2ª edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife encerrou nos dia 1 e 10 de agosto as inscrições para as mostras competitivas internacional e brasileira com um total de 648 filmes inscritos, sendo 285 de países estrangeiros e 363 brasileiros.

O resultado da seleção está no site www.janeladecinema.com.br. A curadoria do festival é formada pelo crítico e cineasta Kleber Mendonça Filho, pela produtora Emilie Lesclaux (ambos organizadores do festival através da CinemaScópio Produções), pelo roteirista Luiz Otávio Pereira, pelo crítico de cinema Fernando Vasconcelos e pelo jornalista Rodrigo Almeida. O festival acontecerá entre os dias 22 e 29 de outubro deste ano, com sessões de cinema e debates no Cinema da Fundação e no Cine-teatro do Parque.

Durante o festival, cerca de 150 filmes brasileiros e estrangeiros serão exibidos, dentro das mostras competitiva brasileira e internacional de curtas-metragens, panorama de curtas com focos especiais e mostra não-competitiva de longas-metragens. O festival tem o patrocínio do Governo de Pernambuco através do 2º Edital do Audiovisual, lançado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

Ao todo, foram inscritas obras audiovisuais de 39 países. Entre os países com maior número de inscrições para a seleção da mostra competitiva internacional estão (em ordem decrescente): França, Espanha, Alemanha, Argentina, Inglaterra, EUA, Israel e Bélgica.

Na mostra competitiva brasileira, 18 Estados estão representados com filmes a serem avaliados pelo festival. Os Estados com mais filmes inscritos foram (em ordem decrescente): São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Ceará.

Até 20 de setembro, o festival continua recebendo inscrições de jovens universitários e/ou cinéfilos de Pernambuco que desejem participar da Janela Crítica. A oficina tem como objetivo introduzir ideias e conceitos relativos ao universo da crítica cinematográfica através de encontros com o jornalista e crítico de cinema Luiz Joaquim e exercícios práticos após sessões de cinema do festival. As críticas produzidas durante a oficina serão veiculadas no site do evento e os jovens participantes irão compor júri especial para eleger os melhores curtas nacionais e internacionais.Informações: 3341-4942.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Aliança exibe filme de Cantet


O Cineclube da Aliança Francesa do Derby exibe hoje, às 19h, em DVD, o filme Ressource humaines, dirigido pelo francês Laurent Cantet (em cartaz no Cinema da Fundação com Entre os muros da escola). Após a exibição do filme, que tem legendas em português, haverá um debate no Auditório André Malraux com a participação dos cinéfilos Luiz Fernando Moura e Rodrigo Almeida. A entrada é gratuita. A Aliança Francesa fica na Rua Amaro Bezerra, 466, Derby.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Janela de Cinema anuncia selecionados para projeto

Fonte: JC Online

A Janela Internacional de Cinema do Recife, cuja primeira edição ocorre de 13 a 20 de novembro, divulga os dez selecionados que participarão do Janela Crítica. O projeto busca incentivar, através de encontros, o pensamento crítico de jovens universitários e cinéfilos do Estado.

Inicialmente previsto para serem sete, o número de participantes dos debates aumentou em função da qualidade dos inscritos, segundo informou a produção do evento. A seleção foi feita pelo crítico e jornalista Luiz Joaquim.

Nesta quarta-feira (5), será divulgada a programação completa do festival.

Confira os selecionados:

Amanda Sena
André Antônio
Hermano Callou
Hugo Viana
Luís Fernando Moura
Matheus Cartaxo
Osvaldo Neto
Renato Souto Maior
Rodrigo Almeida
Josias Saraiva (aluno ouvinte)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Vou pro multiplex, mas... ver o que?

Fonte: Programa / Folha de Pernambuco (18/09/2008)

UCI/Ribeiro Tacaruna (no Recife) completa 10 anos

LUIZ JOAQUIM

Essa história é real. Último domingo, início da tarde no multiplex UCI/Ribeiro do Shopping Recife. Dois garotos de 11 e 12 anos na fila da bilheteria discutem fortemente. O primeiro tem dinheiro apenas para pagar o ingresso da 'promoção família', ou seja, R$ 5,50 (a meia entrada) para sessões iniciadas até 14h55. O segundo, com mais dinheiro, diz que de nenhuma forma vai se submeter a ver "Xuxa em Sonho de Menina", que é o único filme ali começando antes das 14h55. O primeiro bate o pé é diz: "Pois eu vou. Saí de casa para ver um filme e vou ver, mesmo que seja o da Xuxa".

O exemplo acima é emblemático para levantar uma reflexão sobre a chegada dos multiplex no mercado brasileiro e o redesenhamento cultural em torno do hábito de se ir ao cinema. Hoje comemora-se os dez anos de inauguração do multiplex UCI/Ribeiro no Shopping Tacaruna, cerca de um mês após a celebração de seu irmão no Shopping Recife. Muito dificilmente, há 11 anos, esse tipo de discussão entre os dois garotos teria lugar numa fila do cinema.

Antes, saía-se de casa para ver "o" filme, e não "um" filme. Ia-se a uma sala específica em um endereço específico para ver um filme desejado, o qual, habitualmente, o espectador sabia muito bem sobre o que se tratava a produção. A partir de 1998, no Recife, esse tipo de relação com o espaço de reunião para ir ver um filme foi modificando-se exatamente porque o formato múltiplo de salas conjugadas, com um leque de títulos a escolher e com a arquitetura impessoal, foram moldando assim um novo personagem, o consumidor de entretenimento, em detrimento do antigo espectador cinematográfico.

O interesse do primeiro personagem é generalista. A idéia em alguns casos é chegar num multiplex é pagar para o ver o filme da sessão com horário mais próximo. É, como num fast-food, onde se escolhe o hambúrguer pelo seu número no menu para saciar a fome, e não por um opção de degustação para dar conta de um paladar mais sofisticado.

Para o cineasta Paulo Caldas, que tem seu filme "Deserto Feliz" em cartaz às 19h30 de hoje como parte da programação de aniversário do UCI/Ribeiro Tacaruna essa postura cultural não é interessante. "Como realizador, eu gostaria que a pessoa saísse de casa para ver um filme que lhe atrai, que ele realmente deseje ver. De certo modo isso ainda acontece em espaços com programação alternativa ou de arte, mas aí esses espaços viram uma espécie de gueto".

Quanto a exibição de hoje, Caldas a vê como ótima experiência para entender o impacto do filme num público de multiplex. "Vai funcionar como um termômetro mas, atípico, porque não houve um trabalho de divulgação tradicional de lançamento", explica. Quanto a possibilidade do filme vir a estrear num multiplex, o diretor diz que ainda não há nada formalizado.


Outra história real - Terça-feira passada, numa aula da Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, surgiu na aula da professora Ângela Pryston o assunto sobre a impregnação cada vez mais marcante da mundialização nas produções cinematográficas. O tema veio à tona por conta do multi-étnico "Ensaio Sobre a Cegueira", filme de Fernando Meirelles em cartaz. Uma coisa puxou outra e logo logo se falava da cultura dos blockbusters, cujo templo é inegavelmente os multiplex.

"Nessa aleatoriedade com a qual se consome cinema hoje, as estratégias de divulgação voltaram-se para um marketing básico e direto, quase primitivo; como o poster de cinema, que parece ganhar um valor cada vez mais determinante. O apelo visual aqui pode ser fundalmental", comenta Pryston.

Um de seus mestrandos, Rodrigo Almeida, prepara sua dissertação "Internet Projetor: Ciberespaço, Cinefilia e Cineclubismo", pela qual pretender chegar a algumas respostas sobre um hábito cada vez mais comum: o de baixar filmes pela internet. O estudo passa também por uma observação na postura do mercado de exibição cinematográfica.

Rodrigo percebe uma uniformidade na programação dos multiplex e que a máxima quando se fala na "diversidade" da programação dos complexos nem corresponde tanto assim. "Fiz uma pesquisa nos arquivos microfilmados na Fundação Joaquim Nabuco com jornais de 1975. Avaliei a programação nos cinemas do centro do Recife entre julho e dezembro daquele ano e percebi que naquele período a quantidade de filmes em cartaz era a mesma oferecida no mês passado, quando estreou "Batman: O Cavaleiro das Trevas", revela o estudante.

O mestrando ressalta ainda que em outra época, os cinemas tinham um perfil determinado e o lançamento de alguns filmes, conforme seu gênero, já tinha um endereço definido de projeção. Nos anos 1980, por exemplo, filme de terror iam para o Cine Moderno, situado na praça Joaquim Nabuco (hoje uma loja de eletrodoméstico).

O professor e coordenador da especilaização de Estudos Cinematográficos da Universidade Católica de Pernambuco, Alexandre Figueirôa era um dos que freqüentava os cinemas nessa época e lembra que a idéia de consumo de cultura pelo cinema já existia também nos cinemas de rua. O multiplex, junto aos shopping centers, pontencializou o que estava latente. "Já faz bastante tempo que o cinema está vinculado à idéia de diversão massiva. E seu enquadramento nesse processo de concentração comercial dos shopping se deu com facilidade", reflete.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Projetos literários premiados



Dois jovens pernambucanos ganham bolsas nacionais: uma para escrever um livro, outra para pesquisa acadêmica

Schneider Carpeggiani
carpeggiani@gmail.com

Talles Colatino
tcolatino@jc.com.br

Pernambuco foi destaque em dois concursos que procuram reter a literatura contemporânea por dois ângulos distintos, mas que se complementam: o de quem produz ficção, o de quem analisa essa produção. O estudante de jornalismo Rodrigo Almeida, de 22 anos, foi um dos vencedores da 3ª edição do Rumos Literatura do Itaú Cultural, com o projeto Processos Multimidiáticos de Colaboração e Interatividade na Crítica Literária Brasileira Contemporânea: Um Estudo de Caso do Site Overmundo. O Overmundo é um endereço online participativo – onde os internautas constroem o seu conteúdo, ressaltando a máxima de quem nenhum texto é isolado em si mesmo.

A também estudante de jornalismo Julya Vasconcelos, 23 anos, foi vencedora de uma das bolsas da Funarte de estímulo à criação literária, para desenvolver um livro, no valor de R$ 30 mil. A cada ano, a Funarte distribui 10 bolsas para candidatos de todo o Brasil. Na lista de vencedores, faz parte nomes consagrados como o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar. Seu projeto é Agudo como mordida, que tem de ficar pronto até julho deste ano.

Enquanto os concursos literários premiam a obra final, a Funarte estimula o necessário “rascunho”. “É uma bolsa de estímulo, não uma premiação para uma obra já realizada. Então, dez projetos de livros com trechos já produzidos – e não livros finalizados – foram selecionados para que os autores pudessem escrever a obra. Acho uma iniciativa fantástica, porque é difícil ter a possibilidade de ser patrocinado para escrever. No geral, os autores passam por maus bocados para conseguir finalizar um livro”, afirma Julya.

Essa é daquelas autoras para quem rótulo é perda de tempo. Seu texto trafega por inúmeros gêneros, com vários disfarces. “O livro (Agudo como mordida) é uma coletânea de poemas, mini-contos e pequenos textos organizados em três capítulos, mais estéticos que temáticos. O primeiro aglutina poemas e pequenas narrativas amarradas por um clima de auto-revelação, todos em primeira pessoa. O segundo é um amálgama de pequeníssimos textos, exercícios de micropercepção que chamo Na dose certa para não matar os cavalos. O terceiro é dedicado a três personagens: Tereza, Silvia e Rita”, explica.

Julya faz parte de uma geração que encontrou o futuro do romance mais uma vez sendo questionado. Não que poucas narrativas longas sejam lançadas, mas qual o valor delas num mundo onde a fragmentação é cada vez fala mais alto? “Eu concordo que os textos fragmentados são tendência natural do nosso tempo. Só não concordo com uma certa visão fatalista e lamentosa disso. E acho que a tendência do romance é de decadência, sim. Há muito tempo se fala sobre isso. Mas também acredito numa posterior renovação, por que não? As coisas estão em eterna mutação e acredito que podem conviver e renascer”.

RUMOS

O programa Itaú Cultural: Rumos Literatura divulgou, no final do ano passado, os selecionados na categoria Literatura. O projeto, na categoria crítica literária (ambição de muitos estudiosos, por garantir um apoio financeiro e acadêmico para projetos de pesquisa), contemplou apenas um pernambucano. E engana-se quem pensa se tratar de um doutor em letras ou ao menos um graduando na área. Rodrigo Almeida tem apenas 22 anos, está terminando o curso de jornalismo e foi classificado com um trabalho bem inusitado sobre os processos interativos numa crítica literária atípica: a publicada no site colaborativo Overmundo.

O Overmundo permite que qualquer internauta ajude na construção do seu conteúdo, aprimorando o processo de circulação da informação. “Basicamente, meu ensaio pretende investigar as metamorfoses acontecidas – e que ainda estão em andamento – nas críticas literárias publicadas na internet, as diferenciando inclusive das publicadas em mídia impressa, tomando como objeto central de estudo o Overmundo”, explica Rodrigo, assumidademente fã de tecnologia, literatura e cinema. “No caso do Overmundo, além da palavra escrita propriamente dita, o colaborador pode complementar a crítica literária com fotos, vídeos, flash-art, arquivos de áudio, toda uma gama de recursos que são bem limitadas na mídia impressa. Não existe um formato pré-estabelecido para a crítica literária: ela se mistura, flerta com outros gêneros, torna-se outra”, complementa. O desafio de Rodrigo nesse trabalho é justamente fazer um paralelo entre o tratamento que a crítica literária recebe nas mídias ditas tradicionais e nos novos campos midiáticos. “Pretendo me focar na abertura que o mundo online dá a criação e divulgação do trabalho crítico”.

Em novembro passado, o programa realizou um colóquio entre todos os selecionados, para uma apresentação do mapeamento dos trabalhos inscritos. No encontro, a experiência de trocar idéias sobre o seu trabalho e o dos outros garantiu ao jovem pesquisador uma certeza maior da consistência do seu projeto. “Dentro do colóquio, achei que o meu projeto foi um dos mais contemplados tematicamente. Rolou uma oficina de literatura não-linear e todas as discussões sobre crítica literária contemporânea terminavam enveredando para o lado da tecnologia”. Para tal realização, o Itaú Cultural garante uma bolsa mensal de R$ 850 e R$ 400 em livros para o desenvolvimento do projeto, além do prêmio de R$ 1.800 pela publicação do texto.

Rodrigo termina a graduação esse mês, apresentando seu site de crítica crítica de cinema, o Dissenso (www.dissenso.wordpress.com), como o projeto de conclusão de curso. E uma nova etapa termina para que outra comece logo mais: ele acabou de ser selecionado no mestrado em comunicação da UFPE. ”Estou me formando agora em janeiro e em março já começo o mestrado. Tenho, sim, pretensão em seguir carreira acadêmica, mas o que quero mesmo é assumir um caminho interdisciplinar que envolva cinema, comunicação e literatura”, confessa.