Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Curta?



Só lembrei de Mufasa.

(dica de mário)

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Be Kind Rewind

Às vezes desejo secretamente que a vida devia se configurar como um DVD, de forma que, quando completássemos dezoito anos, ganhássemos como prova da idade um controle remoto com lindos botões rewind and forward, nos dando a abertura de transitar por todos os nossos anos, rememorando a melhor trepa e nos arriscando a descobrir o nosso leito de morte. Talvez o excesso de viagens para frente e para trás, além de nos causar o enjôo típico da incerteza, além de nos confundir as emoções e de nos tornar existencialmente atemporais, terminaria se solidificando enquanto um longo tédio rotineiro e firmando permanentemente a resolução do porquê vivemos no, e devemos ao, presente. Não me parece ser por acaso. Ainda assim, fico com um sorriso distante só de pensar na possibilidade de acelerar a dor – sentindo-a mais intensamente numa durabilidade menor; na praticidade de mudar o ângulo de visão, brincar com o zoom – entendendo os pontos-de-vista que nos escapam, os contextos que não nos pertencem, as distâncias e aproximações. Parece um vício dos bons: pensem no prazer quadro a quadro – descobrindo o gozo de cada segundo, resgatando um sentido a cada gesto; na vontade sincera e justa de pular capítulos inteiros, pausar momentos de dúvida extrema, viver o mesmo frio na espinha uma centena de vezes. A velhice me parece ser a superação deste desejo: desejo de quem carrega uma juventude amada que começa a pesar e desejo de quem olha para frente sem olhos de farol. Por ora, na encruzilhada dos vinte e poucos anos, bem que a vida poderia ser cheia de funções técnico-afetivas, nem que fosse uma breve alienação de nós a nós mesmos, de nós em nós mesmos, afinal, a única função de DVD que nos resta enquanto seres humanos donos de nosso destino e condicionados por nossa realidade é a do botão eject. Nada mais. Ao menos, os anos têm passado, vinte quatro deles, e o único botão do controle tem se mantido intacto. Deve ser o sinal de alguma fé na humanidade. Quem diria.

Domingo, 5 de Julho de 2009

=~~

Domingo, 21 de Junho de 2009

Buscas

ui Hermano.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Béla Tarr no Cineclube Dissenso!

Caros,

neste sábado (20), às 14h, daremos continuidade as atividades do Cineclube Dissenso em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Para quem ainda não teve a oportunidade de participar de uma das sessões anteriores, a ideia é sempre apresentar obras raras, de difícil acesso e ausente do circuito exibidor, criando mais uma opção aos amantes do cinema na cidade. Contemplaremos dessa vez uma das peças-chave do cinema europeu contemporâneo: o cineasta húngaro Béla Tarr. Conhecido pela lendária obra-prima de sete horas e meia Satantango (1994), Béla Tarr tem nos apresentado nas últimas décadas um universo cinematográfico extremamente pessoal e desafiador. A sessão contará com a exibição de um de seus filmes mais recentes, As Harmonias de Werckmeister (2000), um misterioso retrato de uma pequena cidade do interior da Hungria transformada com a chegada de uma baleia gigante empalhada.

Dissenso - O Cineclube Dissenso surgiu a partir da criação do Blog Dissenso (www.dissenso.wordpress.com), parte do projeto de conclusão de curso de um de seus integrantes. A intenção era discutir a crítica cinematográfica e estimular um ambiente de debate cinéfilo, permeado pela coexistência de distintos discursos. O que começou como reuniões despretensiosas entre cinéfilos, tomou proporções maiores e se firmou como um novo espaço cineclubista entre estudantes de diversos cursos da UFPE.

A única premissa compartilhada internamente era a de que as obras escolhidas tivessem algum caráter provocativo, não fossem facilmente encontradas em qualquer prateleira de locadora e, de preferência, não possuíssem comercialização oficial no país. Formou-se assim o cineclube, que em quase um ano de existência assumiu uma clara preferência por projetos estéticos incomuns e diversos, em ciclos marcados pelas diferentes referências e repertórios cinematográficos de seus integrantes, em uma curadoria colaborativa que agrega vozes e olhares dissonantes.

SERVIÇO:

As Harmonias de Werckmeister (Béla Tarr, 2000, Hungria)

Sábado, 20 de junho, às 14h

Cinema da Fundação

Entrada Franca

Mais informações:

Rodrigo Almeida - 91684304

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Jogatina Sentimental

Nunca podemos recuperar totalmente o que foi esquecido. E talvez seja bom assim. O choque do resgate do passado seria tão destrutivo que, no exato momento, forçosamente deixaríamos de compreender nossa saudade. Mas é por isso que a compreendemos, e tanto melhor, quanto mais profundo jaz em nós o esquecido.

Walter Benjamin, Rua de Mão Única, P. 104/105

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Troquem as cornetas!

Alguém podia avisar aos torcedores lá da África do Sul que esse barulho de abelha zunindo nos jogos da Copa das Confederações é insuportável?

Agradecido.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

crises antecipadas de meia-idade

Tenho medo que envelhecer seja a substituição do deslumbramento pelo conhecimento.

Contando

Eu sempre achei que a melhor maneira de medir o amor fosse a saudade e que a saudade vinha da simples vontade de compartilhar uma faísca de mundo com alguém. Às vezes vontade incontrolável, dependência assumida, simbiose desconcertante. É como se a vivência só se tornasse completa, por mais extraordinário que fosse o momento, ao contarmos, quase como revivendo, uma bela historia em um ouvido amigo. Só que quando a saudade acaba, o amor acaba, as histórias somem, novos ouvidos se erguem no ar e, depois de um tempo, começa tudo de novo. O melhor é que podemos voltar a contar as velhas histórias como novas. Não quero falar, por ora, das mágoas, um dia elas chegam, mas não agora e vou acabar o post pela metade ou isso pode ser musicado um dia e parar num voz e violão por aí.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Mais dissenso!


Seguindo a parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o Cineclube Dissenso realiza neste sábado (13), às 14h, mais uma sessão de filmes seguida por debate aberto ao público. Com entrada gratuita, a sessão contará com a exibição dos filmes Ako (1965), média-metragem representante do que se convencionou chamar de nouvelle vague japonesa e Otoshiana (1962), produções de Hiroshi Teshigahara (1927-2001). Otoshiana marca a trajetória cinematográfica de Teshigahara por ser sua primeira parceria firmada com o escritor/roteirista Kobo Abe, com quem viria a desenvolver A Mulher das Dunas, filme já exibido no Cineclube e considerado a obra-prima do diretor japonês.

A ideia, que é sempre apresentar obras raras, de difícil acesso e ausente do circuito exibidor, contempla dessa vez esse mestre do cinema oriental ainda pouco conhecido por aqui. Teshigahara se distingue na cinematografia japonesa como uma voz que soube, como poucas, aliar suas intenções estéticas com uma preocupação social que refletisse as condições da população de seu país, importando-se com a manutenção da identidade individual.

Dissenso - O Cineclube Dissenso surge a partir da criação do Blog Dissenso (www.dissenso.wordpress.com), parte do projeto de conclusão de curso de um de seus integrantes. A intenção era discutir a crítica cinematográfica e estimular um ambiente de debate cinéfilo, permeado pela coexistência de distintos discursos. O que começou como reuniões despretensiosas entre cinéfilos, tomou proporções maiores e se firmou como um novo espaço cineclubista entre estudantes de diversos cursos da UFPE.

A única premissa compartilhada internamente era a de que as obras escolhidas tivessem algum caráter provocativo, não fossem facilmente encontradas em qualquer prateleira de locadora e, de preferência, não possuíssem comercialização oficial no país. Formou-se assim o cineclube, que em quase um ano de existência assumiu uma clara preferência por projetos estéticos incomuns e diversos, em ciclos marcados pelas diferentes referências e repertórios cinematográficos de seus integrantes, em uma curadoria colaborativa que agrega vozes e olhares dissonantes.

SERVIÇO:

Ako (Hiroshi Teshigahara, 1965, Japão)

Otoshiana (Hiroshi Teshigahara, 1962, Japão)

Sábado, 13 de junho, às 14h

Cinema da Fundação

Entrada Franca

Mais informações:

Rodrigo Almeida

9168-4304

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Ovelhas Negras

É sempre bom admitir nossos próprios clichês. A gente tenta desviar uma, duas, quinze vezes, mas nem sempre dá para fugir deles apenas na mandinga. Os clichês são espertos e grudam - quase como óleo quente saído de uma panela de batata frita. Daí chega uma hora que é melhor sentar, relaxar o pescoço endurecido e colocá-los, aos pares, em cima da mesa. É incrível como sempre surto nos sonhos quando resolvo dormir lendo Caio Fernando Abreu. Depois acordo, sinto que se ele não existisse, eu poderia ter alguma relevância e curar metade dos meus problemas estima. Não fico triste. Pelo contrário. Ele me enche de vida noturna como se minhas vísceras pulsassem, algo parecido com o que me aconteceu quando estava lendo Secreções, excreções e desatinos, do Rubem Fonseca. Minhas noites tranquilas na cama mais pareciam noitadas loucas na Augusta.

Festas

A pior parte de estar em uma festa onde você é o eixo que une os diferentes grupos, não vou falar do lado bom, não quero me perder no inumerável, é que quando morga a tal festa e chega a hora de decidir o destino seguinte, cada um dos grupos defende sua sugestão a ferro e fogo, usa de toda chantagem emocional cabível, lembra daquelas promessas de maio e o eixo, ou você, se sente como um corpo esquartejado que não foi cortado em pedaços suficientemente pequenos.

Dessa maneira os canos terminam entupidos.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Eu quero mais é release!


Neste sábado (06), às 14h, tem início as atividades do Cineclube Dissenso em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). As sessões, com entrada gratuita, serão realizadas semanalmente no Cinema da Fundação e seguidas por debate aberto ao público. A ideia é sempre apresentar obras raras, de difícil acesso e ausente do circuito exibidor, criando mais uma opção aos amantes do cinema na cidade.

Em sua primeira semana, serão exibidos o curta Esse Filme Deve Ser Visto no Cinema, do pernambucano Chico Lacerda, e Benny´s Video, do diretor austríaco Michael Haneke, ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes esse ano e se tratando de Haneke é melhor não cairmos na sinopse para não estragar a surpresa.

Dissenso - O Cineclube Dissenso surge a partir da criação do Blog Dissenso (www.dissenso.wordpress.com), parte do projeto de conclusão de curso de um de seus integrantes. A intenção era discutir a crítica cinematográfica e estimular um ambiente de debate cinéfilo, permeado pela coexistência de distintos discursos. O que começou como reuniões despretensiosas entre cinéfilos, tomou proporções maiores e se firmou como um novo espaço cineclubista entre estudantes de diversos cursos da UFPE.

A única premissa compartilhada internamente era a de que as obras escolhidas tivessem algum caráter provocativo, não fossem facilmente encontradas em qualquer prateleira de locadora e, de preferência, não possuíssem comercialização oficial no país. Formou-se assim o cineclube, que em quase um ano de existência assumiu uma clara preferência por projetos estéticos incomuns e diversos, em ciclos marcados pelas diferentes referências e repertórios cinematográficos de seus integrantes, em uma curadoria colaborativa que agrega vozes e olhares dissonantes.

SERVIÇO:

Benny´s Video (Michael Haneke, 1992, Áustria)

Este Filme Tem Que Ser Visto no Cinema (Chico Lacerda, 2009, Brasil)

Sábado, 06 de junho, às 14h

Cinema da Fundação

Entrada Franca


Mais informações:

Rodrigo Almeida - 9168-4304
dissenso@gmail.com

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

..

E falando em bancos, não a toa estas empresas são sempre as primeiras a associarem suas ações e sua marca com o discurso emergencial que domina e sensacionaliza os corações e mentes ao redor do planeta. Pode notar como todos vão nessa mesma linha, como isso acontece em nível transnacional e como tem o intuito de colocar o banco em consonância com as supostas demandas urgentes da humanidade. Se o assunto que domina é o aquecimento global, o banco é o banco que protege o planeta, que a cada conta aberta, planta uma árvore e que luta mais que o greenpeace pela proteção das baleias. Se o assunto é a crise econômica, aí se torna o banco que vai dar sustentabilidade financeira ao longo da sua vida, o banco que tem planejamento, o banco que quando tudo - inclusive os bancos - falirem, vai continuar ali do seu lado, firme e forte segurando a sua mão.

Pior que eu admiro essa perspicácia de terceira.

Sábado, 30 de Maio de 2009

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Eu ando me chocando muito fácil nessa vida, mas propagandas de banco com crianças têm me chocado em especial.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

QUE?

Como assim demora UM ANO E MEIO para o diploma de formado ficar pronto depois que você dá entrada com todos os trezentos e quarenta e dois milhões de documentos?

Isso é culpa da UFPE, do MEC, MINHA, de QUEM?

Ainda bem que a mulher disse que se o pedido tivesse caráter de urgência (?), bastava acrescentar uma justificativa "boa" aos documentos, que se fosse aprovada pela comissão, o diploma sairia entre dois e três meses "no máximo".
Ok, aceito sugestões.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

=D

Nada como estar usando um computador da lan house quando chega o homem da celpe para cortar a luz.

Revista Quem

Eu sempre achei que ia ver o Galvão Bueno ficar gagá na frente das câmeras ao ponto do constragimento se tornar insustentável (ok, já é), resultando na retirada dele do ar diretamente para o retiro dos artistas. É que adoro ver vídeos do youtube ao vivo na TV. Mas eita, o retiro dos artistas é só pra artistas (sic) e figurantes né? Pois então, não sei para onde a Rede Globo manda os comentaristas, narradores, pregos e afins quando eles não possuem mais utilidade comercial e nem o seu zé da pinga ali da esquina quer consumi-los. Como tirar de cena a inutilidade de pele viva cobrindo os ossos? E não sou eu quem diz: envelhecer cercado de câmeras é realmente cruel, não duvidem. Acho inclusive que tem muito pretenso ator desses secundários cuja a vida não é outra coisa senão segurar o cu na mão todos os dias temendo o esquecimento. Vejam só pelo que o povo se passa. Tem programas especialmente criados só para os futuros residentes da casa dos artistas. Às vezes eu tenho pena. Não hoje. Para falar a verdade, eu ainda espero presenciar momentos em que o Galvão se confirme como senil, e falo isso para além dos comentários senis dele de sempre, mas não podia imaginar que esse constrangimento profético iria acontecer primeiro com o Sílvio Santos. Logo o Sílvio. Tudo bem que ele sempre humilhou sua platéia, seus convidados, armou o circo jogando dinheiro e de certa forma eu admirava o jogo de manipulação em que ele envolvia suas presas, mas convenhamos que ele perdeu o controle e eu perdi a aposta. Achava que seria o Galvão. E a Hebe não conta, porque se fosse pra internar já era pra ter feito isso há muito tempo.

Eita, tem a Suzana Vieira que, segundo a própria, não envelhece.

Surpresas da TV Brasil - 2

Superstição, do Alan Sieber, iria ou irá fazer parte de um longa chamado "Odeio o Pereio" ou "Odeio o Paulo César Pereio", onde diversas pessoas, de diversos campos diferentes seriam convidadas só para falar mal do famoso ator diante de uma câmera. Segundo o diretor, o material é bem vasto, apesar de que as pessoas que mais odeiam o Pereio tenham se recusado a participar do projeto, porque acreditam que mesmo falando mal, a obra terminaria se transformando em uma homenagem. E homenagem ao Pereio, jamais.


Surpresas da TV Brasil - 1


A TV Brasil tem me surpreendido para o bem. Primeiro teve um dia que eu tava lá de bobeira no sofá de casa e de repente passou "O menino da calça branca", de 1961, o primeiro curta do Sérgio Ricardo, que integra, junto a três outros curtas, um projeto chamado "Quatro contra o mundo". Não vi os outros e vai ser difícil vê-los - nunca tinha sequer escutado falar - mas sei que esse Sérgio Ricardo, que foi homenageado pelo Festival do Filme Livre desse ano, é mais conhecido por sua música que por seu trabalho no cinema, especialmente porque ele foi responsável pela trilha sonora do cânone "Deus e o Diabo na Terra do Sol", do Glauber Rocha. O Sérgio Ricardo é um cara cheio do préstigio e estou aqui só pra aumentar um pouco esse prestígio, porque desde Muro não ficava tão abismado com um curta - ambos me tocaram da forma profunda o suficiente para não saírem da minha cabeça por muito tempo ou talvez pra sempre. Sem contar que vale dizer que costumo retomar momentaneamente a minha fé na humanidade quando fico emocionado com algo sincero que passa na televisão e não é a matéria de transplante de órgãos do Fantástico ou alguma propaganda fofa e cretina da coca cola. Depois essa sensação passa e eu volto a ser o velho pessimista de sempre. Sobre o curta, não posso ignorar que a fotografia em preto e branco é linda, talvez uma das mais bonitas que eu tenha visto e não a toa: a maioria dos curtas brasileiros do início da década de 60, Aruanda, por exemplo, possuem uma fotografia de uma luz muito própria, como se saída do hipersaturado Rio 40 Graus em direção ao suposto naturalismo controlado do Cinema Novo. Não dá pra saber direito se o punctum é justamente o controle ou descontrole. Por sinal, o diretor de fotografia, Dib Lufti - irmão do Sérgio Ricardo, viveu esse processo muito bem, trabalhou com o Eduardo Coutinho no início da carreira do documentarista, foi operador de câmera em Terra em Transe, trabalhou em inúmeros filmes do Arnaldo Jabor, Nelson Pereira dos Santos, entre outros, apesar de hoje participar de iniciativas toscas de pretensão, direção e interpretação duvidáveis como é Juventude, do Domingos de Oliveira. Todo mundo envelhece um dia e não estou falando dos anos concretos. Manoel de Oliveira, aquele jovem, que o diga.

Mas voltando rapidamente ao "Menino da Calça Branca", além da fotografia, fiquei especialmente comovido com a espontaneidade do garoto, cujas andanças, expressões e brincadeiras nas ruas, acompanhada e registrada por uma segunda andança, a da câmera, nem sempre na mesma direção, me transportou completamente a um imaginário da infância e não necessariamente da minha infância. Senti o onírico, mas não o nostálgico - que, na verdade, seria um nostálgico inventado, daqueles quando nós, na linha jovens de menos de 30 anos, buscamos um 1968 no baú de lembranças. Pois é, nesse caso não rolou identificação: nem de fato, nem inventada. Talvez justamente esse distanciamento entre a minha infância e a infância do garoto tenha facilitado e inocentado minha entrada na diegese proposta, sem que eu, interferisse com a minha própria diegese. Sem contar que ver o Ziraldo de surpresa na tela me encheu de uma alegria inexplicável. É isso aí, inexplicável. Pra não dizer que não falei das sinopses, basicamente a história se foca em um menino do morro que ganha de natal uma calça branca - algo que parecia esperar há tempos - e toma aquele presente como uma transformação imediata em sua vida de menino do morro. Eis que então desce ao asfalto, todo cuidadoso para não se melar e imita o mundo dos adultos de calças brancas: os gestos, a forma de andar, de se portar e estar no mundo. A narrativa é muito simples e fofa - e sei que essas palavras não seriam as ideais - mas a escolha de colocar um final triste funciona muito como o despertar de um sonho por um soco na porta do quarto: a bola bate na lama, a lama bate na calça branca e o menino volta pro morro. Daí pra ficar emotivo é um passo, especialmente pela percepção da influência do Sérgio Ricardo enquanto compositor sobre o Sérgio Ricardo diretor, algo que dita um ritmo onde o visual parece seguir uma direção auditiva. Obviamente esse processo ganha força e se aperfeiçoa através da edição realizada pelo mestre Nelson Pereira dos Santos. Acho que não é clichê dizer que essa sua criação audiovisual - e imagino que as outras também dada sua trajetória - se interliga simbioticamente com a criação musical. Dessa forma, nem preciso dizer que existe a música "o menino da calça branca". O curta recebeu o prêmio 'Berimbau de prata' no I Festival de Cinema da Bahia em 1962. Berimbau de prata, minha gente?

o_O

A Bahia às vezes me mata de vergonha.

Daí terminou o filme e vi na propaganda que na sequência ia passar Serras da Desordem, do Andrea Tonacci, uma das produções brasileiras de maior provocação estética sobre o que é, não é, não é mais, foi e será a linguagem audiovisual, especialmente do documentário. Se não tivesse com tanto sono, topava na boa pela terceira vez.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Destino

Provavelmente vão tirar do ar logo logo como tudo de mais legal nesse mundo do youtube, mas eu achei que essa animação - procurem sobre ela na internet - valia tão a pena que resolvi arriscar. Eu também quis dar as caras por aqui, dizer que não estou morto e registrar que o meu notebook, depois de dezessete dias úteis, continua na assistência técnica. Odeio a Positivo. E sim, a dica do vídeo foi do Osvaldo.


Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Refilmagem e Continuação

Esqueci de dizer que fui ver Star Trek do J.J. Abrams, bem receoso porque sempre fui mais da turma do Star Wars e tenho ambivalências com Lost, e vi o trailer de Tranformers 2, o trailer de Uma Noite no Museu 2, além do de Exterminador do Futuro não sei quanto - parei no dois, apesar de ter visto o três - e quando cheguei em casa, bem em dúvida se tinha gostado do filme ou se ele só valia por alguns efeitos especiais em algumas cenas específicas, e eis que estava passando American Pie 5. Caralho, fico meio besta como é pastiche pra tudo que é lado. Ok que a balela da maioria dos filmes mega-hiper-super-comerciais continua a mesma das últimas décadas - independente se franquias 'novas', refilmagens ou continuações - mas, sei lá, mudar o título vez ou outra bem que poderia ser um ótimo começo.

Viva Joseph Campbell e os arquétipos universais.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Saco

É um saco quando você, depois de toda dificuldade, tenta esvaziar o ego numa ação simples e as pessoas entendem seu movimento justamente como uma jogada de ego. Sério mesmo, fico me perguntando de que vale ser simpático e de que adianta happy go-luckyzar a vida se o seu estereotipo já foi traçado e esculpido em mármore chinês. Isso é para eu aprender bem, porque sempre que eu bebo e converso com deus e o mundo, da velha dos cachorros ao vendedor de jujuba, faço mil amigos de uma noite, não adianta dar uma de Poppy, pois acordo praticando a amnésia induzida e querendo colocar uma máscara dos smurfs no rosto. E coloco.

Ao menos a Sally Hawkins entrou no meu coração.

Domingo, 10 de Maio de 2009

Pose

Eu queria conseguir demonstrar minhas fraquezas com mais orgulho e menos vergonha.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Twitter

Aí hoje eu pensei em finalmente me render e fazer uma conta no twitter, só pra poder dar vazão a todas as bostas de pensamentos que passam na minha cabeça e pra poder olhar os twitters protegidos, mas imaginei como problema número 1, que já existia uma conta com o nome 'rodrigoalmeida'. Fui olhar e óbvio que existia. Pelo menos fez bem danado ao meu ego, porque eu acho que sou um rodrigoalmeida bem mais legal que esse e assim sendo, vou continuar outsider que é o melhor que eu faço.

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Face/Off

Tenho de admitir que no final das contas sou super careta mesmo - talvez até mais careta que a Leila Lopes - mas é que se tem algo que me choca nesse mundo é uma coisa chamada transplante de face. Botox, plástica, queixo novo, nariz novo, orelha cortada, dente de ouro, tudo isso eu já me acostumei, mas transplante de face ainda me deixa de boca aberta sem reação. Sinto-me meio velho por isso. Sem contar que no pacote desse pensamento ainda me lembro daquele filme péssimo que o John Travolta troca de rosto com o Nicolas Cage e ambos assumem para todo sempre a decadência de suas carreiras.

As Manchetes e a Criatividade



Sábado, 2 de Maio de 2009

-

- Mas você não teve pique e agora não sou eu quem vai lhe dizer que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique. Não sou eu quem vai, lhe dizer, que fique.

- Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Lan House

- E amanhã é feriado, é?

- É. Tiradentes eu acho.

PUTZ... EU QUERO MAIS É PANDEMIA.

Kramer vs Kramer


Mesmo dublado, mesmo morto de sono, chorei horrores de ficar soluçando e passei um bom tempo na varanda tomando chá e me enchendo de esperança: se até os dezoito, dezenove anos, tinha uma vontade muito forte de ter um filho, até costumava sonhar com isso, entrei na casa dos vinte querendo uma vasectomia quase como um desesperado, o que só poderia acontecer oficialmente a partir dos vinte e cinco, decisão que tomei em especial por meus irmãos - um irmão e uma irmã - baterem da forma mais sem noção possível a cota de netos que minha mãe esperava. Sem contar que vi meus sobrinhos e sobrinhas crescerem ano a ano e mesmo tentando ser uma 'boa' influência para eles, digo logo que isso é utopia das velhas e não demora muito até perdemos o controle. Pois é, vê-los passar de coisinha fofa do tio pra cabelo descolorido e fã de saia rodada é uma barra. "Paternidade é uma puta loteria" é o que sempre me diz um amigo que será um grande pai. E ele está certo. Seu filho pode ser qualquer filho - a começar pense em você e em seus irmãos - e pior, você vai ter de amá-lo incondicionalmente seja ele quem for. Isso porque não quis comentar que o mundo é um lugar muito cruel para se colocar uma criança, pense em todos os perigos, pense em toda mediocridade, pense em tudo que você fez e seus pais nunca souberam e quando você se der conta o nível paranóia já chegou. Tudo contava contra e então veio a virada maníaca aos vinte e quatro anos e poucos dias: depois de Kramer vs Kramer (EUA, 1979), de Robert Benton, descobri que vale a pena correr o risco.
Agora tenho só que me preocupar com a mãe.

Déjà vu.

La Muerte de un Burocrata

"Ainda hoje pode-se dizer que o cinema está marcado por sua origem de classe. Apesar de, na sua curta história, ter tidos momentos de rebeldia, de buscas e de autênticas conquistas como expressão das tendências mais revolucionárias, o cinema continua sendo em grande medida a encarnação mais natural do espírito pequeno-burguês que animou seu nascimento".

Tomás Gutiérrez Alea,
diretor cubano que realizou, entre outros, Memórias do Subdesenvolvimento.


Fico me perguntando como ser cineasta, cinéfilo ou crítico sem ser yuppie, sem ter banda larga em casa e sem mamar nas fartas tetas de uma sedenta instituição cultural burguesa (que pode ser, inclusive, um mecenato familiar). Não consigo imaginar uma ação espontânea delineada nas bordas do sistema financeiro, exceto pelas oficinas e afins realizadas por nossas queridas elites, iniciativas também conhecidas como 'tenho culpa burguesa, vou ensinar os pobres a filmarem e escreverem sobre a vidinha de merda deles que nunca vai mudar, acalmo as massas em seus redutos para não matarem, não roubarem, não cheirarem e chamo ao final de responsabilidade social' (não incluo aqui o projeto Vídeo nas Aldeias, especialmente porque, pelo que conheço, admiro imensamente os resultados). É nesses raros momentos de 'e se toda a estrutura ruir e eu ficar com uma mão na frente e outra atrás' que me vejo mais próximo do ato de escrever que de qualquer outro ato de expressão: além de plenamente solitário, e desde pequeno sempre tive sérios problemas com trabalho em grupo, me parece que depois do holocausto suíno e da supremacia absoluta da propaganda, estarei em guerra por um lápis e não por uma câmera.

De qualquer forma, quanto ao questionamento pequeno-burguês, espero que o Simião Martiniano ainda possa me responder.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Favor usar máscaras e evitar os apertos de mão.

Quase ia esquecendo do típico encontro de Cine-PE que ocorre infelizmente a cada três segundos:

- Tudo bom?

- Tudo bem?

(fim do diálogo e tédio no rosto)

Pedido

Alguém podia colocar a música do Cine-PE em mute de uma vez por todas?

Entro no site pra ver a programação e me decidir se vou ou não, começa a tocar o jingle que tira qualquer pessoa do sério, todas lembranças de como o festival não vale a pena surgem na cabeça, fecho o site como quem foge do México, pondero se vou rir da euforia gripe suína na TV e decido voltar para o terceiro ensaio do livro do Tomás Gutiérrez Alea, Dialética do Espectador.

Livro bem Costa-Gavras, por sinal.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Meu computador deu pau

...e só pra não dizer que abandonei o blog, tem um texto meu aqui.

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Futuro

Slumdog Millionaire é o símbolo maior da distopia da imagem.

Antony Gormley












Inferno

A partir de hoje só entro em um ônibus metropolitano na cidade do Recife, especialmente em horário de pico, especialmente CDU / Várzea, especialmente enquanto não resolverem o problema de carros da UPE que termina por engarrafar metade da caxangá, com um bom amigo ou um bom livro embaixo do braço, porque passar uma hora e meia sem nada pra fazer, num trajeto que em média seria feito na metade do tempo, me passa uma detestável sensação de perda de vida.

É uma pena que metrô subterrâneo e mangue formem um paradoxo insolúvel: o máximo que conseguiríamos seria um metrô suspenso, mas do jeito que tudo termina no tosco, o projeto começaria na linha THX 1138 e terminaria como o minhocão. Pelo menos por aqui ainda não vi passageiro levando chicotada e isso, sem dúvida, é a grande ficção científica do momento.

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Ensaios

Percebi que nunca tinha feito divulgação dos ensaios que funcionaram como base de meu projeto de conclusão no curso de jornalismo, então, como estou especialmente nostálgico, auto-crítico e cretino hoje, resolvi, depois de mais de um ano, colocar o início dos textos e os links para os raros interessados que desejarem lê-los na íntegra (para entender o contexto, recomendo a leitura do editorial):

Metamórphosis
(Publicado em 03 / 11 / 2007)
Sobre 'Limite' (Brasil, 1931), de Mário Peixoto

No decorrer dos últimos meses, tenho refletido bastante sobre a influência de obras sobre obras. Não de maneira determinista como em quase todas as críticas de cinema esse pensamento é posto em discussão, mas numa perspectiva onde tendências estéticas, diretores ou mesmo filmes avulsos têm seus princípios redimensionados, a partir da inclusão de especificidades de diferentes contextos. Não são traçadas linhas formais de seqüências a seqüências, de enquadramentos a enquadramentos ou de utilização de luz a utilização de luz. Nada disso. Também não questiono as possíveis paródias ou homenagens diretas. De fato, elas existem, se multiplicam e se vislumbram, mas na situação que pretendo aqui tratar, tudo se dá num caráter mais fluido e menos prático - esquecendo e desrespeitando qualquer linearidade. É preciso perceber que nem sempre as influências se mostram completamente conscientes por quem as utiliza e que nunca permanecem as mesmas depois de utilizadas: entre as supostas linhas formais que se apontam existe um conjunto de desvios que precisam ser lembrados. Só para ilustrar não é tão raro acontecer de críticos formularem ligações externas dentro de uma obra (seja um filme, um disco ou uma performance), cujo criador sequer conheça ou tenha antevisto / atinado como fonte de inspiração. Se por um lado essa postura pode estabelecer um clima constrangedor, propondo um questionamento à validade e credibilidade do trabalho crítico; também pode, por outro, consolidar duas reflexões mais importantes: a que o jornalista carrega consigo uma rede de influências próprias, geralmente ocultas em seus textos e que as obras de arte podem sim desenvolver algum diálogo com artistas desconhecidos ao criador. Para tanto, alguns conceitos precisam ser abandonados e outros instituídos. MAIS

Like Bacon and Eggs (Publicado em 15/11/2007)
Sobre 'Cantando na Chuva' (EUA, 1952), de Stanley Donen e Gene Kelly

Depois de assistir a Cantando na Chuva (EUA, 1952), de Gene Kelly e Stanley Donen, em maio desse ano (2007), me deparei com uma série de questões já pontuadas no ensaio anterior, referentes à postura que uma obra de arte (ou o conjunto delas) assume diante de um repertório pessoal - podendo causar diferentes reações, de acordo com o estágio de conhecimento, experiência e discurso cinematográficos impressos em sucessivos momentos de um mesmo espectador (podendo causar, inclusive, diferentes ou complementares reações de acordo com o estágio emotivo, físico, lisérgico, etc…). Assim, a presença de alguns filmes e a ausência de outros na nossa memória, além do senso comum, do conjunto de textos acadêmicos, teóricos, jornalísticos; das viagens e pessoas que conhecemos, dos comentários profundos e inúteis ao qual tivemos contato, entre mil outros aspectos interferem não apenas numa concepção ampla sobre o cinema, mas também na construção valorativa para a película seguinte. Algumas permanecem sólidas, outras se desmontam em pedaços. Todas as obras recentemente vistas serão dimensionadas a partir do repertório construído por cada um até então - para além da temporalidade da própria obra. Tornam-se eqüitativamente importantes o contexto original do filme X - e em alguns casos isso se perde - e o momento em que esse filme X passou a fazer parte do imaginário do espectador contemporâneo Y, levando em conta que esse espectador pode tanto consumir a atualidade, como entrecruzá-la com referências distantes temporal ou espacialmente, através do amplo - e cada vez mais simples - acesso dado pelas novas tecnologias. Um singelo clique num mouse nunca foi tão significativo. MAIS

00 ou 10? 20 ou 30? 40 ou 50? 60 ou 70? 80? 90 ou 00? (Publicado em 10/12/2007)
Sobre '
O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante' (Inglaterra, 1989), de Peter Greenaway

Não há inutilidade mais divertida do que os pequenos jogos espontâneos, mesmo os esquizofrênicos acordados entre as pessoas e o destino: ‘volto para casa se aquele carro branco dobrar à esquerda, vou ao cinema se um cisne cair em cima dele’. Alguns esperam pacientemente pelas penas brancas, outros, menos preocupados, participam de brincadeiras mais refinadas. Trata-se quase de uma aposta criativa (e, felizmente, nem tudo se torna irrelevante). Há uns cinco/seis anos propus uma dessas brincadeiras espontâneas a mim mesmo, quando decidi entrar em contato constante com alguns filmes, todos pegos numa locadora perto da universidade (Edit: só pra nomear, Fox Vídeo) . Não à toa: havia promoções e pacotes para VHS - 5 fitas, 5 dias, 5 reais, pois o dono do estabelecimento tinha de fazer aqueles produtos renderem o máximo antes de vendê-los, por conta da iminente consolidação do mercado de DVD (mídia que nessa época já deixava de lado o furor de novidade, sendo largamente popularizada no Brasil em 2002/2003). Assisti muitos filmes em VHS durante toda essa época de transição: nenhum lançamento (os lançamentos deixava pra pegar em DVD caso já não tivesse visto no cinema). Foi então que iniciei o maldito jogo adolescente: a partir de filmes aleatórios do qual nada sabia, tinha de descobrir a década e se possível o ano de cada produção. Não valia ler sinopse, críticas, nada - tinha de decifrar apenas pela obra em si e alugá-la simplesmente pela capa. Para facilitar geralmente pegava 5 filmes que estavam dispostos sequencialmente na estante, o que trazia surpresas boas e ruins. Descobri dessa maneira cineastas, entre outros, como Wong Kar-wai - Amores Expressos, Anjos Caídos e Felizes Juntos permanecem até hoje sem lançamento em DVD - e Tsai Ming-Liang, além de obras como o peruano Não conte a ninguém (1998), que aborda como poucos a questão da autorepressão homossexual, o francês melancólico e autobiográfico Noites Felinas (1992), de Cyril Collard sobre Cyril Collard com atuação de Cyril Collard e o independente americano non-sense Gummo (1997). Em VHS, tudo era mais simples, graças as denotações de velhice presentes na qualidade da própria mídia (o que tirava um pouco a graça inicial da brincadeira). MAIS

Coexistência e Transmutação: Resnais, Tarkovski (Publicado em 24/12/2007)
Sobre 'O Ano Passado em Marienbad' (França, 1961), de Alain Resnais / 'O Espelho' (União Soviética, 1974), de Andrei Tarkovski.

Não há dúvida de que poderia escrever (e não só eu) um ensaio inteiro, apenas sobre os travellings paralelos em O Ano Passado em Marienbad (França / Itália, 1961), de Alain Resnais (e Alain-Robbe Grillet?), onde o movimento corta o movimento, onde a câmera percorre um espaço imutável, isolado (que pode ser em Marienbad, Baden-Salsa, Frederiksbad), entre corredores, salões, portas e corredores, capturando a coexistência de diferentes tempos, sonhos, memórias, projeções e delírios. Mas, sinceramente, depois do ensaio anterior, falar simplesmente sobre travellings se tornaria um tanto repetitivo. Ainda que aqui exista um diferencial muito claro: a câmera se move não apenas de um cômodo para outro, mas o faz, num mesmo plano-sequência, a partir do espaço-momento suspenso de onde o narrador X descreve o ambiente, ações, gestos e encontros diretamente para suas lembranças (ou lembranças-falsas); para seus sonhos (ou sonhos-inventados); para estados mentais ou desejos encobertos e revelados. E durante esse movimento vagaroso, esse mesmo narrador se encontra enquanto personagem X (ou enquanto narrador) dentro de sua própria história, direcionando suas palavras de maneira persuasiva para sua ouvinte/amante A (ela nega, confirma, hesita), reflexiva para si mesmo e assertiva para o espectador. Quando não inverte e mistura todas essas enunciações - o que torna tudo deliciosamente mais ambíguo. MAIS

A palavra neutra 3x (Publicado em 02/01/2008)
Sobre 'Jules e Jim' (França, 1961), de François Truffaut

Numa primeira visão desatenciosa, presa a uma mera busca vanguardista (o que era - é? - determinante no meu olhar durante minhas incursões pelo cinema da década de 60), não me parece muito difícil achar, atualmente, Jules e Jim (França, 1962), de François Truffaut um filme bobo. Talvez bobo até demais. Também não me parece muito difícil ainda no ritmo desse primeiro lampejo, refletir como a fortuna crítica dessa produção - elogiada repetidamente desde seu lançamento até hoje - soa um tanto excessiva, deslumbrada. As contemporâneas me parecem ainda mais idiotas cheias de repetições e repetições como se ainda estivessem em 1961. Afe Maria, como diria minha avó. Se formos ser sensatos e estabelecermos uma comparação próxima, o trabalho do cineasta francês se mostra pouco ousado diante do cinema que era produzido por seus contemporâneos (de Nouvelle Vague ou de não-Nouvelle Vague). E não tenho como negar que desde sempre me acostumei a preferir Godard à Truffaut, Resnais à Truffaut, Bresson à Truffaut mantendo uma imensa dívida por não conhecer melhor os cinemas de Eric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette para poder seguir com a lista ou diminuí-la vertiginosamente. Para mim, o próprio Truffaut-crítico se destaca diante do Truffaut-cineasta. MAIS

Eu.doc (Publicado em 09/01/2008)
Sobre 'Santiago' (Brasil, 2007), de João Moreira Salles

Esse texto pode até soar inicialmente como uma mera cordialidade barata entre um pretenso jovem crítico e um documentarista brasileiro burguês, mas aviso de antemão, que pouco me importo com essas desconfianças primárias. Mesmo se fôssemos amigos (eu e o João Moreira Salles - o que não é o caso), procuraria não fazer diferença, sabendo dos riscos e falhas, entre falar bem, mal ou bem e mal simultaneamente. Além disso, o juízo de valor nesse molde maniqueísta teria pouca importância em uma crítica-crônica, que desde o princípio assumisse e destrinchasse alguns laços de amizade. Entre pontuar uma série de desgostos e não falar, prefiro ultimamente - e só ultimamente - não falar: nesses casos, acredito que o silêncio carrega a crueldade necessária. É uma pena que os críticos vinculados às ‘sérias’ empresas de comunicação não possuam essa mesma possibilidade de escolha, já que não decidem sobre quais obras irão se debruçar e sobre quais irão se omitir: apenas se dividem entre os lançamentos de uma lista pré-definida semana após semana. Alguns até se esforçam, mas nem sempre é fácil produzir meia dúzia de palavras anuais sobre a Xuxa sem cair pelo menos uma vez no chulo. Pensando assim, tenho que também admitir de antemão e com a maior cara lavada possível que é muito prazeroso falar sobre o que se quer, dentro dos moldes quaisquer, podendo seguir sem pudores percursos mil. Sei que essa liberdade tende a não durar para sempre, a universidade nos lembra disso diariamente, mas, por ora e aproveitando o momento, a crítica se desvincula do ranço da obrigação, se assentando plenamente como um ato de criação. MAIS

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Trote

Nem ainda chegou o dia da mentira e já recebi uma ligação daquelas que meus amigos adoram. Eu acordei hoje pensando em colocar crédito no meu celular, basicamente porque precisava ligar para uma amiga e não podia surrupiar o celular da minha mãe como geralmente faço. Daí vi uma mensagem recebida, jurei que era alguma bomba matinal de Faltay, mas, na verdade, era um recado da claro, avisando que tinha chegado R$ 5,00 de crédito. Meu mau humor foi embora e realmente botei na cabeça que o cosmos tava do meu lado: o que soou ótimo levando em conta que tinha acabado de acordar com o barulho de portas alheias batendo e que era uma típica segunda de manhã. Fiquei macucando por três segundos se teria sido minha mãe ou engano de algum zé bocó. Decidi não pensar. Passou o dia, usei meu fogão novo pela primeira vez, comi decentemente, dormi, li Gramsci, olhei verbetes do Dicionário de Política de Bobbio, roubei internet do wireless do vizinho, recebi amigos em casa, daí toca meu celular. Número estranho. Atendo. A cobrar. Desligo. Coloco na pauta da sala de estar: número estranho, a cobrar, ligo de volta? Juliana sugere que eu ligue, escute a voz do destinatério e desligue. Me vem a cabeça que muito provavelmente era o cara que botou o crédito errado querendo me cobrar. Todos me chamam de paranóico sem noção. Decido ligar afinal sempre ligo a cobrar pro povo de forma que fazer uma ligação às cegas uma vez na vida não mata ninguém, além de que em algum lugar queria provar que não era um paranóico sem noção. Ligo. Escuto a voz de, acho eu, um senhor de idade, com certeza meio nervoso: "e chegou R$ 5,00 aí foi?". Claramente nunca escutei aquela voz antes. Desligo. Comunico que a paranóia venceu. Entro em pânico. Meu celular toca. Não sei o que fazer. Desligo. Seria trote de Fábio Leal? O celular toca de novo. Desligo. O celular não para de tocar. Fico louco. Alguém dá a sugestão de eu desligar tal número para sempre. Peso na consciência versus falta de coragem, diabinhos e anjinhos pulando na sala, desliga pra sempre, nunca atende, peraí, é só cinco reais. Mando uma mensagem: "amanhã coloco R$ 5 picas no teu cu. Perdeu playboy". Mentira. A mensagem era: "amanhã coloco cinco reais para você. Valeu". Feita a boa ação, não sei se coloco ou deixo passar. Sinceramente me pergunto se isso acontece por aí das pessoas botarem crédito errado e depois ligarem pro número errado pra cobrar o crédito errado. Já ouvi gente que recebeu crédito e ficou por isso, afinal se a pessoa confundiu o número, deveria depois não conseguir lembrar do número confundido: até porque, ok, os quatro primeiros dígitos eram iguais, mas os quatro últimos não tinham nada a ver. Ah, sei lá. Cansei de pensar sobre isso. Só sei que a moral da história é que eu claramente tenho problemas sérios em falar com pessoas que não conheço, o que me faz um alvo fácil de trotes de todos os tipos. Pois é, não devo ter digerido bem aquele velho conselho materno de não falar com estranhos.

X-men Origins: Wolverine

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

UFPE

"Por que não exercem em nosso país aquela influência de reguladoras da vida cultural que exercem em outros países? Um dos motivos deve ser buscado no seguinte: nas universidades, o contato entre professores e estudantes não é organizado. O professor ensina, de sua cátedra, à massa dos ouvintes, isto é, dá a sua lição e vai embora. Tão-somente na época da apresentação da tese é que o estudante se aproxima do professor, pede-lhe um tema e conselhos específicos sobre o método da pesquisa científica. Para a massa dos estudantes, os cursos não são mais do que uma série de conferências, ouvidas com maior ou menor atenção, todas ou apenas uma parte: o estudante confia nas apostilas, na obra que o próprio professor escreveu sobre a matéria ou na bibliografia que indicou. Existe um maior contato entre os professores individuais e estudantes individuais que pretendem se especializar numa determinada disciplina: este contato se estabelece, no mais das vezes, casualmente, e possui uma imensa importância para a continuidade acadêmica e para o destino das várias disciplinas. Ele se estabelece, por exemplo, graças a causas religiosas, políticas, de amizade familiar. Um estudante torna-se assíduo de um professor, que o encontra na biblioteca, convida-o para casa, aconselha-lhe livros para ler e pesquisas a tentar. Cada professor tende a formar uma "escola" própria, tem seus pontos de vista determinados (chamados de "teorias") sobre determinadas partes de sua ciência, que gostaria de ver defendidos por "seus seguidores ou discípulos". Cada professor pretende que, de sua universidade, em concorrência com as outras, saiam jovens"distinguidos"que dêem sérias"contribuições" à sua ciência. Por isso, na própria faculdade, existe concorrência entre professores de matérias afins na disputa de alguns jovens que já se tenham distinguido por causa de uma recensão, de um artiguinho ou em discussões escolares (onde elas são realizadas). Neste caso, o professor realmente guia o seu aluno; indica-lhe um tema, aconselha-o no desenvolvimento, facilita-lhe as pesquisas, mediante suas conversas assíduas acelera a formação científica dele, faz-lhe publicar os primeiros ensaios nas revistas especializadas, coloca-o em contato com outros especialistas e se apodera dele definitivamente. Este costume, salvo casos esporádicos de igrejinhas, é benéfico, pois completa a função das universidades. Deveria deixar de ser fato pessoal, iniciativa pessoal, para se tomar função orgânica: não sei até que ponto, mas parece-me que os seminários de tipo alemão representam esta função ou buscam desenvolvê-la. Em torno de certos professores, há uma disputa de pessoas que aspiram atingir mais facilmente uma cátedra universitária. Muitos jovens, pelo contrário, particularmente os que vêm dos liceus provincianos, são marginalizados tanto no ambiente social universitário quanto no ambiente de estudo. Os primeiros seis meses do curso servem para uma orientação sobre o caráter específico dos estudos universitários, e a timidez nas relações pessoais nunca deixa de existir entre professor e aluno. Nos seminários, tal coisa não se verificaria, ou pelo menos não na mesma medida. De qualquer modo, esta estrutura geral da vida universitária não cria, já na universidade, nenhuma hierarquia intelectual permanente entre professores e massa de estudantes: após a universidade, mesmo aquelas escassas ligações se relaxam e, em nosso país, inexiste qualquer estrutura cultural que se apóie sobre a universidade. Foi este um dos elementos que determinou a sorteda dupla Croce-Gentile, antes da guerra, na constituição de um grande centro de vida intelectual nacional; entre outras coisas, eles lutavam também contra a insuficiencia da vida universitária e contra a mediocridade científica e pedagógica (e mesmo moral, por vezes) dos professores oficiais".

Antônio Gramsci, Os Intelectuais e a Organização da Cultura, Pag. 146/147.

Azar

Acho que sentimos o peso da urucubaca, quando uma situação constrangedora - daquelas que podemos passar a vida inteira sem ter de passar por - acontece duas vezes em uma única semana. E que tal quando acontece duas vezes em três dias para ser mais exato? No meu caso foram as notas falsas. Sexta-feira, fiz um saque no Banco do Brasil, fui ao passe fácil e quando pedi para a mulher colocar R$ 18, ela informou que minha nota de R$ 20 era falsa. Na verdade, ela disse que nem era falsa, disse que não podia aceitar porque estava 'arranhada demais'. Tentei argumentar, afinal tinha acabado de retirar a maldita nota de um caixa eletrônico. A mulher foi tudo, menos solícita soltando no meio da minha fala: "senhor, você está atrapalhando a fila. Próximo". Fiquei puto com aquela vontade de dar um golpe no mundo que só me acontece duas ou três vezes no ano. Daí como estava sem disposição de ir numa agência fazer a troca e armar barraco pelos transtornos, segui o conselho de uma velhinha que ouviu todo meu drama e passei a nota adiante, numa farmácia do governo, comprando um tylenol. A dica da velhinha foi providencial. Voltei ao passe fácil, pensei em ser atendido pela mesma moça, pensei em encher a fala de arrogância, fui atendido por outra, nada demais aconteceu e enchi meu cartão.

Daí hoje, morrendo de fome, por volta das 14 e tantas, fui almoçar perto de casa. Ao final da refeição, tento pagar no cartão, a máquina meio que dá pau, termino pagando com uma nota de R$ 20 e recebo no troco, além de outras notas e algumas moedas, uma nota de R$ 10. Vou direto em um posto de gasolina, peço para o cara colocar R$ 5 - hahaha - e na hora de pagar dou a nota de R$ 10 que tinha acabado de pegar. Adivinhem? Pois é, a porra da nota era falsa. Fiquei muito puto, além de obviamente constrangido, afinal o frentista ficou olhando pra minha cara como se eu fosse golpista do dia. Meio "quer café?", mas arquitetanto "vou chamar a polícia". Graças a Deus eu tinha outra nota e não estava de bigode. Voltei no restaurante pronto pra armar barraco quando, ao explicar a situação, o cara pegou a nota e quis me fazer acreditar que era verdadeira. Pior nem é o argumento, mas o fato de que se você parasse um segundo e olhasse pra nota dava pra perceber que ela era totalmente falsa. Era gritante pela qualidade tosca do papel e por como estavam lavadas as imagens. Quase uma nota do Banco Imobiliário ou do Jogo da Vida. Daí quando já ia começar a confusão, chegou o dono do estabelecimento, apaziguou geral o clima ruim, soltou piadas e um peido, verificou a nota com a maior carinha de juiz e rapidinho a trocou por outra. Com o rosto um tanto rubro, pediu perdão. Definitivamente só posso ter um mínimo apreço por senhoras espertas e com dicas na manga e por senhores dignos e de honestidade intocável. O resto é merda.

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Devaneio acadêmico

Daí vocês todos estão sabendo que está rolando uma disciplina no curso de cinema, ministrada por Paulo Cunha, que se chama 'Cinema e Revolução: o caso Eisenstein'. O melhor é que, por acaso, num papel afixado na secretaria com todas as cadeiras do semestre, saiu escrito 'o caso Einstein' - e nada mais divertido que os erros de digitação na geração de trocadilhos engraçados. Como já faz tempo que não tenho mais saco para a escadaria de Odessa e olhe que já fui piradão pelos cineastas soviéticos da década de 20, fiquei pensando que se em algum hipotético dia, decidisse seguir carreira acadêmica e tivesse de ministrar uma disciplina nessa linha, provavelmente iria chamá-la de 'Cinema e Revolução: o caso George Lucas'.

Morbidez

Talvez eu até seja careta, mas a coisa mais absurda que vi nos últimos tempos, de me chocar e me deixar puto da vida, foi ver uma entrevista que saiu no caderno de Cidades do Jornal do Commercio (no último dia 17) com um cara de 23 anos que perdeu a esposa, um filho, o irmão e um sobrinho num acidente de automóvel. Repetindo, a esposa, um filho, o irmão e um sobrinho. Ele acompanhava, de moto, o carro onde ia a família quando o carro bateu de frente num caminhão. Agora sério mesmo, como alguém, jornalista, não-jornalista - a matéria saiu sem assinatura - tem a capacidade (leia-se cara-de-pau) de chegar para um cara desse, enquanto ele está na porra do IML esperando a liberação dos corpos, e perguntar coisas do tipo:

JC – Você viu o acidente?
JOSÉ WELLINGTON – Não. Eu ia de moto, na frente. Depois não vi mais o carro e voltei. Quando cheguei ao local o acidente já havia acontecido.

JC – O que você viu ao voltar?
JOSÉ WELLINGTON – Ainda estava todo mundo dentro do carro.

JC – E já estavam mortos?
JOSÉ WELLINGTON – Meu sobrinho ainda respirava, mas não havia como tirá-lo das ferragens. Só ele deu sinal de vida.

JC – Pelo que você soube, de quem foi a culpa?
JOSÉ WELLINGTON – Não sei informar com certeza. O caminhão pegou o lado do carro. O povo diz que o carro foi para cima do caminhão e eu não sei ao certo.

JC – Vocês pegaram a estrada a que horas?
JOSÉ WELLINGTON – Saímos da casa da minha irmã, onde tínhamos ido passar o fim de semana, às 3h40 porque tínhamos que trabalhar. O acidente aconteceu por volta das 4h30.

JC – Vocês vinham de uma festa? Seu irmão tinha bebido?
JOSÉ WELLINGTON – Meu irmão não bebia. A gente tinha ido passar o fim de semana em Jundiá (AL), onde houve carnaval fora de época. Todo ano fazíamos esse passeio.

JC – Seu irmão dirigia bem?
JOSÉ WELLINGTON – Sim, fazia tempo que ele dirigia, mas tinha comprado o Fiat há uns dois meses.

JC – Como você se sente?
JOSÉ WELLINGTON – É preciso ter muita força para superar essa perda grande. Não sei se vou conseguir.

JC – Você já pensou no seu futuro sem eles?
JOSÉ WELLINGTON – Quem sabe do meu destino é Deus. É uma situação difícil, não há como mudar, não tem como.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Travelling


Acho que as HQs de Watchmen deviam muito fazer parte da bibliografia de cursos de cinema. Essa é a primeira página da primeira revista e ao longo das doze publicações, pululam visualizações perfeitas e detalhadas dos mais distintos recursos cinematográficos. Tudo quadro a quadro. A adaptação para cinema segue estritamente algumas dessas dicas, mas, como sempre acontece, deixa muita coisa de lado. Como estou sem internet em casa, não posso me entregar completamente ao devaneio sem fim. Portanto, confiram vocês mesmos:

Revistas 01 - 04

Revistas 05 - 08

Revistas 09 -12

Depois do Som Barato...

Comunicado Oficial - Fim da 'Discografias'

Informamos a todos os membros da comunidade "Discografias" e relacionadas (Trilhas Sonoras de Filmes, Trilhas Sonoras de Novelas, Coletâneas (V.A.), Pedidos, Dicas/Dúvidas e Índice Geral), que encerramos as atividades devido às ameaças que estamos sofrendo da APCM e outros orgãos de defesa dos direitos autorais. Nosso trabalho foi árduo para manter as comunidades organizadas, sem auferir nenhum tipo de vantagem financeira com elas, somente com o intuito de contribuir de alguma forma para a cultura e entretenimento. Não é com o fechamento desta comunidade e outras equivalentes que as gravadoras irão aumentar seus lucros. Muitos artistas perderão seus meios de divulgação. Milhares de membros terão que procurar outras atividades no Orkut que não seja o download de músicas e afins. O número de sites e blogs de conteúdo similar, mais programas como eMule, limewire, de torrents e outros P2P, cresce em progressão geométrica. Perdem eles, perdemos todos, mas enfim, tudo em nome do dinheiro das grandes corporações. Nada em nome da cultura.

Tais entidades de defesa dos direitos autorais, como a R.I.A.A. nos Estados Unidos e APCM no Brasil, que é a representante legal de:

UNIVERSAL MUSIC DO BRASIL LTDA.;
WARNER MUSIC BRASIL LTDA.;
SONY - BMG BRASIL LTDA.;
SIGLA - SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIO VISUAIS LTDA;
EMI MUSIC LTDA.;
COLUMBIA PICTURES INDUSTRIES INC.;
DISNEY ENTERPRISES INC.;
METRO-GOLDWYN-MAYER STUDIOS INC.;
PARAMOUNT PICTURES CORPORATION;
TWENTIETH CENTURY FOX FILM CORPORATION;
UNIVERSAL CITY STUDIOS INC.;
WARNER BROS.;
UNITED ARTISTS PICTURES INC.;
UNITED ARTISTS CORPORATION;
UBV - UNIÃO BRASILEIRA DE VÍDEO E ASSOCIADAS

Sendo ainda representante de IFPI - International Federation of the Phonographic Industry e MPA - Motion Picture Association no Brasil, se dizem "sem fins lucrativos", vamos acreditar nisso, né gente? Como todos acreditam nas histórias da carochinha. Portanto, deixamos aqui os dados de contato do orgão responsável pelo fechamento das comunidades e de um de seus representantes:

APCM - ANTI-PIRATARIA CINEMA E MÚSICA
RUA HADDOCK LOBO, 585 – SÃO PAULO – SP – BRAZIL
INTERNET ANTI-PIRACY UNIT

Telefone: +55 (11) 3061-1990x244
E-mail: anti-piracy@apcm.org.br

Bruno Henrique Tarelov: btarelov@apcm.org.br

Fone: 55 11 30611990 ramal 238

Fax: 55 11 30611221

Agradecemos a todos que de um jeito ou de outro, colaboraram para que nossas comunidades fossem tão populares. Valeu, gente!

A Moderação

Ps.: A APCM só perseguia nossas comunidades, e assim, os links postados pelos nossos membros estavam sendo rapidamente denunciados e excluídos, pois eles querem aparecer e só deletam de onde está mais fácil e tem maior visibilidade na mídia. O pessoal que baixava de nossas comunidades vai poder continuar a procurar os links no lugar de maior acervo: O Google.

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

y

"Rodrigo,

Lembra quando perguntaste sobre chorar pelo mundo inteiro e depois querer sumir? Quando olhaste pra mim naquele dia e fizeste essa pergunta, eu senti como se ouvisse meu eco. Não imaginas como me abraçaste sem braços ao dizer tais coisas, e depois afirmaste, com uma cara bem plácida, que sabias que eu entenderia. Eu me sinto em casa quando estou contigo. Posso falar coisas que eu não falaria pra quase ninguém, pois sei que ririam de mim. Pra ti eu falo de pássaros e vida e choro e solidão. E quando brigas comigo, ou me provocas ou falas como quem não quer ser carinhoso eu sei, de diversas formas, que é tudo um afago às avessas. Eu sei que a gente se ama e se entende tanto que chega a me assustar. Acho lindo quando esqueces que estás aqui e falas dos teus filhos e dos teus quarenta anos, ou quando dizes que enxergas a vida nas poesias da aula de fotografia. Queria te achar sempre que eu olhasse pro lado. E queria que meu filho Antônio fosse amigo do teu filho Ícaro, e que a gente comesse macarronada um na casa do outro alternando os domingos. Queria te ver muito feliz e escrevendo pra sempre coisas bonitas. Meu amigo, tu és o mais sensível de todos".

ai grega, que saudade. =~~