quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sinal

E fico pensando se a força humana usada pra fechar o bicho, proibir cigarro, fiscalizar bar fosse totalmente transformada pra ações, digamos, mais urgentes. Fiquei pensando nisso ontem, enquanto esperava um amigo no bompreço da rosa e silva. Observei por meia hora, por volta das 7 da noite, o sinal, onde uma menina de no máximo 5 anos vendia jujubas. Sinal vermelho e lá ia ela de carro em carro. Caminhonetes, carros de luxo e ela lá, pequenina, tentando vender e sendo totalmente ignorada sinal vermelho após sinal vermelho. Mal alcançava o vidro, de modo que tinha de ficar na frente dos veículos. Apenas algumas mulheres pedestres não a ignoravam e lhe doavam algumas moedas. Sentiam-se aliviadas e seguiam seus caminhos. Um senhor parado com uma carroça, possível pai, avô, chefe gritava com a menina a cada sinal vermelho em que ela se distraía: "O SINAL FECHOU, MENINA, VAI LOGO". Mas isso é só uma parte: comecei a observar o olhar fuderosamente triste dela, olhar que a deixava justamente distraída, recorrente quando passava uma criança de mãos dadas com a mãe. Putz... aquele olhar me destroçou. Acho que foi o olhar mais triste que já vi na minha vida. Fiquei com tanta raiva do mundo, tanta, tanta, que sem dúvida comecei a achar que o mínimo que nós recifenses de classe média e alta podemos ter, dentro dessa cidade, é medo da violência. Nós merecemos demais esse medo, uns assaltos nos sinais, nas ruas, uns tiros, tudo isso. Confirmo: é uma merda, merda, merda, mas é o mínimo.

Um comentário:

Milena disse...

Se eu te disser que hoje de 9:00 horas da manhã eu comecei a chorar porque vi um homem pedindo no sinal da Agamenon tu vai achar que é mentira. Mas não é.

Eu não consigo ver algumas coisas. Fato.