sexta-feira, 4 de maio de 2007

04

Não precisa aceitar se não quiser.

Mesmo entre a névoa das nossas fantasias mais infundadas, nenhum de nossos amigos imaginários soube brincar com o amor e o ódio, tão intensamente como a gente fez. Nenhum de meus personagens, nenhuma das estrelas extintas, nenhum dos cachorros do Recife antigo. Somos um espírito quase em comum adormecido em duas crianças indecisas. Por ora danadas, senão enxeridas. Somos as pequenas brincadeiras diante do espelho, todos os traços que diferenciam nossos corpos. Somos as partículas subatômicas flutuando por entre as fendas do tempo. E não se preocupe, não iremos desmaiar.

Mesmo entre os delírios dos nossos sonhos mais profundos, nenhum de nossos amigos imaginários soube desenhar tantas noites sem fim como a gente fez. As madrugadas não se tornaram borradas, os dias não perderam a graça. E quantos vinhos já bebemos em uma hora? E quantos cigarros deixamos de acender? Somos o gancho do telefonema sem assunto, o brinde antes de deitarmos na sarjeta. Estamos compartilhando de nossas utopias, destruindo seus fantasmas e dançando sob o estigma da mesma crise. Somos um rastro de cometa flutuando por entre universos paralelos. E não se preocupe, não iremos nos perder.

Mesmo entre os lapsos de tempo mais radicais, nenhum de nossos amigos imaginários soube acreditar tanto em nossa amizade como a gente fez. Nenhum desses deuses hindus, nenhuma das suas alucinações pessoais, nenhum dos nossos duendes de jardim. Somos os bêbados guardando as lágrimas bem azuis em um potinho, os mendigos felizes por verem um sapo mergulhando em um pudim e a ternura que temos em mente poucos minutos antes de dormir. E resta-me, ouvir sua expressão mais ínfima, tentar enxergar para além de seu olhar verde-rubro e dar-lhe um sorriso de presente. E não se preocupe, eu não vou desistir.

Desculpa. =~~

Rodrigo.

2 comentários:

léli disse...

ajudo sim, firma. só preciso te encontrar por aqui. :*

Má disse...

Que lindo!

Foi pra quem?