quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...

...é tão mais fácil ter dezessete anos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Horóscopo

acho que eu não volto pra casa essa semana.
medo de tu

Gabi


Rodrigo Almeida

Signo: Áries

Ascendente: Áries

Lua: Sagitário

Elemento: Fogo


Período do Trânsito:

Início: 22/09/2008 Fim: 25/09/2008

Título:

Marte em Quadratura com Ascendente natal

Resumo:

Este trânsito focaliza os problemas na sua vida pessoal. Com certeza, esta será uma fase de desentendimentos. Você terá uma visão e a pessoa a quem ama terá outra. Como não estará com vontade de contemporizar, já dá para imaginar o que irá acontecer, não é? Trabalhar com os outros então, nem pensar! Enterre-se no trabalho, gaste toda a sua impulsividade e agressividade em alguma tarefa que possa realizar sozinho. O ponto aqui é manter-se ocupado para tentar manter o equilíbrio. E você sabe que, quando mantém dentro de si toda essa raiva, a sua saúde é que poderá padecer. Então, canalize-a para uma válvula de escape que não lhe cause problemas. Quebrar pedras, por exemplo, pode parecer uma idéia boba, mas por que não experimentar? Ou pense em algo melhor para gastar a sua energia.


Período do Trânsito:

Início: 20/09/2008 Fim: 28/09/2008

Título:

Mercúrio em Quadratura com Ascendente natal

Resumo:

Com este aspecto, você terá apenas vontade de falar. Se pudesse, falaria sozinho. É claro que se houver pessoas ao seu redor será bem melhor. Mas, se por algum acaso não puder se expressar, isto vai ser um grande sofrimento para você. Outro problema será a diferença de opiniões. E como você estará mais interessado em suas próprias idéias do que nas dos outros, provavelmente as pessoas terão que chamar a sua atenção para que pare e se lembre de que não está falando sozinho. Tente espairecer a mente e não fique analisando todo o mundo. Se realmente quiser companhia para as suas conversas, não fique provocando os seus amigos. Use a sua vontade de desafiar para criar os seus projetos e desenvolver os caminhos para conseguir realizar a contento o que desejar.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Publicidade Infantil

Daí, mais uma vez, começou uma discussão verborrááágica - e da qual todos podemos viver sem - na chatilda lista de comunicação. Como não me arrisco escrever lá, corro pra aqui e desço o sarrafo. Pior que dessa vez nem vou descer o sarrafo - e não precisam ficar tristes, ora - afinal vou contar uma historinha a partir do mote do primeiro e-mail, que se referia à decisão da TV Cultura em, a partir de janeiro de 2009, não veicular mensagens publicitárias na programação infantil. Pois é, isso lançado no cantinho dos pré-jornalistas, mancebos e ninfetas, é o mesmo que dizer: 'transforme uma notícia interessante num mero joguinho retórico'. Dito e feito, mas isso não vem ao caso hoje, afinal decidi ali em cima não descer o sarrafo. Deixa eu voltar ao que interessa então: num desses domingos pela manhã, estava tomando café, comendo torrada e assistindo Maísa, quando começaram as propagandas infantis. Na época em que eu morava com a minha mãe e minhas sobrinhas, eu ficava prestando muita atenção, porque independentemente do que era vendido na tv, elas queriam tudo pra si (minhas sobrinhas, não minha mãe). Absolutamente tudo: de boneca à roupa aos brinquedos mais esdrúxulos. Era muito raro achar 'feio', era sempre 'eu quero' - e também rolava o 'feio, mas eu quero mesmo assim'. Só que dessa última vez, sozinho e sem crianças por perto, ignorei naturalmente boa parte das propagandas até que uma delas terminou me chamando a atenção. Eram duas meninas nos seus 5/6 anos, brincando numa mini-cozinha e o 'bom' do brinquedo era lavar pratos e talheres. Somente. Não pensei em mim na hora, óbvio, tentei apenas deduzir se em outra casa o som foi de 'feio' ou de 'eu quero'. Tenho quase certeza que foi de 'eu quero'. Isso é assustador.

Fiquei indignado me sentindo a própria Mari Pires.

domingo, 21 de setembro de 2008

Bêbados do Hall

- Moça, deixa eu responder a entrevista de novo.

- Mas peraí, de novo?

- É. É que agora quero responder no perfil 2.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Coquetel Molotov

joão da costa mostrou todo o poder de sua juventude e deu uma volta no seu jipe vermelho não uso espelho pra me pentear; raul encarnou o galã, fez biquinho, defendeu as mulheres e garantiu ginecologista para todas; mendonça filmou os pobres chorando, filmou um cara chamando joão paulo de cara-de-pau, abriu a temporada de apelação e prometeu criança bem cuidada e alimentada; edilson recebeu mais um selo de qualidade da heloísa helena,;kátia telles e o roberto numeriano devem ter aparecido na hora que fui beber água e quando achei que finalmente poderia assistir A Favorita em paz, ca-do-ca-do-ca mais uma vez perdeu a noção, ganhou o oscar de edição de som e fez o recifolia na tv.

que coquetel que nada. bom mesmo é ficar em casa assistindo o guia eleitoral.





Dolores

E nunca pensei que fosse tão difícil tirar uma merda de foto com a webcam.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

I-doser


Eu já tinha escutado falar dessa história dos arquivos de som que simulavam efeitos de drogas, só que achei muito Lain essa conversa, mas depois da capa tipicamente escandalosa do JC e de todas as informações detalhadas de onde achar o I-doser contidas na matéria - com direito a delegado dizendo que não é crime, com especialista dizendo que não causa danos neurológicos, nem dependência química, além dos relatos de usuários - fiquei em dúvida se a matéria era pura apologia ou o velho sintoma da falta de pauta. Sensacionalismo rasteiro viu, mas de qualquer forma, como sou uma vítima da sociedade do espetáculo, fiquei morrendo de vontade de experimentar.

E provavelmente não só eu.

Interessados?

Vou pro multiplex, mas... ver o que?

Fonte: Programa / Folha de Pernambuco (18/09/2008)

UCI/Ribeiro Tacaruna (no Recife) completa 10 anos

LUIZ JOAQUIM

Essa história é real. Último domingo, início da tarde no multiplex UCI/Ribeiro do Shopping Recife. Dois garotos de 11 e 12 anos na fila da bilheteria discutem fortemente. O primeiro tem dinheiro apenas para pagar o ingresso da 'promoção família', ou seja, R$ 5,50 (a meia entrada) para sessões iniciadas até 14h55. O segundo, com mais dinheiro, diz que de nenhuma forma vai se submeter a ver "Xuxa em Sonho de Menina", que é o único filme ali começando antes das 14h55. O primeiro bate o pé é diz: "Pois eu vou. Saí de casa para ver um filme e vou ver, mesmo que seja o da Xuxa".

O exemplo acima é emblemático para levantar uma reflexão sobre a chegada dos multiplex no mercado brasileiro e o redesenhamento cultural em torno do hábito de se ir ao cinema. Hoje comemora-se os dez anos de inauguração do multiplex UCI/Ribeiro no Shopping Tacaruna, cerca de um mês após a celebração de seu irmão no Shopping Recife. Muito dificilmente, há 11 anos, esse tipo de discussão entre os dois garotos teria lugar numa fila do cinema.

Antes, saía-se de casa para ver "o" filme, e não "um" filme. Ia-se a uma sala específica em um endereço específico para ver um filme desejado, o qual, habitualmente, o espectador sabia muito bem sobre o que se tratava a produção. A partir de 1998, no Recife, esse tipo de relação com o espaço de reunião para ir ver um filme foi modificando-se exatamente porque o formato múltiplo de salas conjugadas, com um leque de títulos a escolher e com a arquitetura impessoal, foram moldando assim um novo personagem, o consumidor de entretenimento, em detrimento do antigo espectador cinematográfico.

O interesse do primeiro personagem é generalista. A idéia em alguns casos é chegar num multiplex é pagar para o ver o filme da sessão com horário mais próximo. É, como num fast-food, onde se escolhe o hambúrguer pelo seu número no menu para saciar a fome, e não por um opção de degustação para dar conta de um paladar mais sofisticado.

Para o cineasta Paulo Caldas, que tem seu filme "Deserto Feliz" em cartaz às 19h30 de hoje como parte da programação de aniversário do UCI/Ribeiro Tacaruna essa postura cultural não é interessante. "Como realizador, eu gostaria que a pessoa saísse de casa para ver um filme que lhe atrai, que ele realmente deseje ver. De certo modo isso ainda acontece em espaços com programação alternativa ou de arte, mas aí esses espaços viram uma espécie de gueto".

Quanto a exibição de hoje, Caldas a vê como ótima experiência para entender o impacto do filme num público de multiplex. "Vai funcionar como um termômetro mas, atípico, porque não houve um trabalho de divulgação tradicional de lançamento", explica. Quanto a possibilidade do filme vir a estrear num multiplex, o diretor diz que ainda não há nada formalizado.


Outra história real - Terça-feira passada, numa aula da Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, surgiu na aula da professora Ângela Pryston o assunto sobre a impregnação cada vez mais marcante da mundialização nas produções cinematográficas. O tema veio à tona por conta do multi-étnico "Ensaio Sobre a Cegueira", filme de Fernando Meirelles em cartaz. Uma coisa puxou outra e logo logo se falava da cultura dos blockbusters, cujo templo é inegavelmente os multiplex.

"Nessa aleatoriedade com a qual se consome cinema hoje, as estratégias de divulgação voltaram-se para um marketing básico e direto, quase primitivo; como o poster de cinema, que parece ganhar um valor cada vez mais determinante. O apelo visual aqui pode ser fundalmental", comenta Pryston.

Um de seus mestrandos, Rodrigo Almeida, prepara sua dissertação "Internet Projetor: Ciberespaço, Cinefilia e Cineclubismo", pela qual pretender chegar a algumas respostas sobre um hábito cada vez mais comum: o de baixar filmes pela internet. O estudo passa também por uma observação na postura do mercado de exibição cinematográfica.

Rodrigo percebe uma uniformidade na programação dos multiplex e que a máxima quando se fala na "diversidade" da programação dos complexos nem corresponde tanto assim. "Fiz uma pesquisa nos arquivos microfilmados na Fundação Joaquim Nabuco com jornais de 1975. Avaliei a programação nos cinemas do centro do Recife entre julho e dezembro daquele ano e percebi que naquele período a quantidade de filmes em cartaz era a mesma oferecida no mês passado, quando estreou "Batman: O Cavaleiro das Trevas", revela o estudante.

O mestrando ressalta ainda que em outra época, os cinemas tinham um perfil determinado e o lançamento de alguns filmes, conforme seu gênero, já tinha um endereço definido de projeção. Nos anos 1980, por exemplo, filme de terror iam para o Cine Moderno, situado na praça Joaquim Nabuco (hoje uma loja de eletrodoméstico).

O professor e coordenador da especilaização de Estudos Cinematográficos da Universidade Católica de Pernambuco, Alexandre Figueirôa era um dos que freqüentava os cinemas nessa época e lembra que a idéia de consumo de cultura pelo cinema já existia também nos cinemas de rua. O multiplex, junto aos shopping centers, pontencializou o que estava latente. "Já faz bastante tempo que o cinema está vinculado à idéia de diversão massiva. E seu enquadramento nesse processo de concentração comercial dos shopping se deu com facilidade", reflete.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Jubilamento

Eis que recebi pela lista de comunicação o seguinte e-mail:

Aos alunos q vêm adiando a conclusão do curso, a Profa.Luíza Nóbrega convoca para uma reunião na próxima 5a.feira, dia 18 de setembro, às 15h, que terá como pauta a questão do jubilamento. Contamos com a presença de todos que se encontram nesta situação.

A Coordenação

Por não querer gerar uma confusão sem resultados na lista e até por achar que a briga nem é minha, resolvi não responder o e-mail, mas como não deixo de atirar quando tenho o gatilho entre os dedos, preciso dizer que se tem alguém que está precisando ser jubilada urgentemente para o bem da universidade, e mais especificamente para o bem do curso de Comunicação Social da UFPE, é a própria professora Maria Luíza Nóbrega. Poderia passar anos resgatando exemplos de aula, de troca de e-mails, poderia convocar alunos e ex-alunos para darem seus depoimentos, emocionados mas só para ilustrar o retrocesso que essa mulher representa, gostaria de falar um pouco sobre o que ela fez das disciplinas eletivas desde que assumiu a coordenação. Na minha época de graduação (e isso foi entre 2003 e 2007), todas as eletivas, sobre os mais diferentes assuntos, com um vasto número de professores, eram postas todas em um só dia, a sexta-feira. Particularmente, posso dizer sem medo que isso salvou o término de meu curso, porque era justamente pelas eletivas que eu escolhia e gostava que eu tinha saco pra pagar as obrigatórias, em sua maioria, insuportáveis (duas delas com a própria Maria Luíza, o que tornava tudo muito mais difícil).

Nessa época, as eletivas funcionavam como um grande espaço de encontro e diálogo interno do curso de Comunicação Social, já que todos os alunos, de todas as habilitações, tinham uma puta variedade de opções de cadeiras para se matricular (e quando falo em opção, falo do poder de escolha entre uma ou outra). O que me parecia um avanço, afinal personalizar a própria grade a partir dos próprios interesses é no mínimo um grande passo dentro de uma instituição marcada pela lentidão nas mudanças (e uma tendência). As pessoas com alguma afinidade de diferentes períodos e habilitações terminavam fatalmente, pelo bem ou mal do futuro delas, se conhecendo naquele corredor quente. Hoje temos ar-condicionado nas salas e só a Copa Paulo Francis pra integrar o curso (e realmente, ambos funcionam). De qualquer forma, diferente dos que acreditam na universidade como o lugar formal de meramente adquirir conhecimento, acredito na universidade como o lugar de conhecer pessoas. E não posso me queixar: fiz grandes amigos por lá e o conhecimento veio de várias formas. Realmente tomei as eletivas, os encontros, a biblioteca, as cervejas como uma fuga - algo que valia a pena para compensar tudo que não valia, e terminei pagando muito mais cadeiras eletivas que o necessário. Sem contar as isoladas em Letras, Ciências Sociais e Artes Plásticas. Só que a possibilidade de traçar esse mesmo tipo de percurso mudou, infelizmente não vejo uma reação prática dos alunos e tenho medo dessa nova era de grandes mudanças para o pior.

Agora o que acontece é que as eletivas são, de forma ímplicita óbvio, 'impostas'. Engraçado que eu achava que o nome era auto-explicativo: talvez o colegiado não tenha se dado conta. Pois é, ao invés de um dia único com um mar de opções, temos eletivas nos mais diferentes e ingratos dias e horários, o que em primeira instância faz com que determinadas eletivas se encaixem no horário obrigatório de determinado período e consequentemente, se torne impossível para os outros períodos. Não há mais escolha, ou melhor, a escolha única é não pagar e passar o período sem eletivas. Eu particularmente via essa possibilidade como o inferno, porque se temos de passar quatro sofridos anos indo todo dia pro CAC, pelo menos que amenizemos a dor. As eletivas se tornaram obrigatórias e não são tateadas mais pelo interesse do alunato, mas pela casualidade de espaço na grade de horário. Resumindo, situação trash. E olhe que nem toquei no ponto da distância que se cria entre as habilitações com essa novidade, pois sempre pensei nessa questão como algo que deveria ser prioridade em se quebrar: o curso ainda é Comunicação Social, antes de ser jornalismo, publicidade e rádio/tv. Isso me lembra da história que Dacier, se não me falha a memória, contou certa vez sobre o motivo dos centros universitários da ufpe terem sido construídos distantes uns dos outros: o governo achou que isso faria com que alunos de diferentes cursos não pudessem se articular politicamente. Maria Luíza me remete a essa época e a esse tipo de pensamento arcaico: a professora simplesmente está desmantelando o já fragilizado curso da universidade federal de Pernambuco. E se tem alguém que precisa ser jubilado, urgentemente, nada mais justo que comecemos por ela.

sábado, 13 de setembro de 2008

Women Now

- Não sei como tu conseguiu ficar tão bem.

- Não sei como eu consegui ficar tão mal.

SPA das Artes

Calourada freak cafuçu de História: como perder a dignidade em dois tempos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Cavaleiro Inexistente

Depois de João Paulo, Eduardo, Lula, Casa Forte, Ipsep, Maria Tonha, José Pedro, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, o maracatu, o frevo, Ariano, o carnaval pensamos que a próxima propaganda associativa do PT deveria logo adentrar pelo jogo espiritual, sem perder a ternura, a cor vermelha e o ritmo da musiquinha preguenta:

Inri Cristo está com João da Costa /
e Jesus está com João da Costa /
Pastor Silas está com João da Costa /
e Deus está com João da Costa.

Eu só me pergunto uma coisa: e aonde está, João da Costa?

Espero que a armadura vazia ganhe logo no primeiro turno e pra isso tem de apelar mesmo para propaganda moderninha e jovem. Ninguém aguenta mais a cara de Jarbas dando conselhos e dizendo que acredita em Raul Henry. Isso é queima, não propaganda. Se bem que ser Cadoca já é queima. Deviam faz o horário dele só com animação. De qualquer forma, quero me isentar e torcer pelo Cavaleiro Inexistente, só para não ficar tentado a votar nele, fugindo do sorriso de Cadoca. Já Mendonça mais uma vez perde, fica deprimido e vai curar a derrota nas gringa.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Sétimo Continente (1989), de Michael Haneke

Pessoal,
daremos prosseguimento ao segundo ciclo de exibições hoje (09 de setembro), no Mini-auditório 1 do Centro de Artes e Comunicação (CAC), por volta das 17 horas. Todos estão convidados. A escolha do filme dessa vez fica a cargo de nosso querido graduando em jornalismo Hermano Callou e só para diminuir a surpresa, ele já nos adiantou que levará um filme oriental. Mais um, já que no primeiro ciclo ele foi responsável pelo raro tailandês Mal dos Trópicos, do impronunciável Apichatpong Weerasethakul. Na semana passada, para abrir o segundo ciclo, passamos o primeiro longa-metragem para cinema do diretor austríaco Michael Haneke (famoso por Funny Games, A Professora de Piano, Cachê). A obra em questão, O Sétimo Continente (1989), um roteiro negado na televisão e por isso realizado para tela grande, é o primeiro episódio da chamada (e gostaria de saber se o próprio diretor também a chama) Trilogia da Era Glacial, completada pelo Benny's Video (1992) e por 71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso (1994). A minha escolha se deu em duas frentes. A primeira pelo discurso pessimista levado ao limite sobre a 'coisificação' e 'mecanização' da humanidade, discurso que ganha força a partir do momento em que o cineasta se apropria de uma família-metáfora da classe média, sua rotina pré-moldada e seus anseios burgueses, para fincar um caminho de esvaziamento espiritual completo que os leva a uma autodestruição física e existencial também completa. Quase afirmando que a civilização ocidental inteira caminha nesse sentido: uma carta só com boas e fugazes notícias que logo se transforma numa carta de suicídio. A segunda frente diz respeito ao risco de se filmar um longa-metragem inteiro, de quase duas horas, colocando o plano-detalhe e a câmera parada como recursos centrais – imbricando a violenta frieza do tema dentro da forma - e conseguindo através disso, caracterizar seus personagens não tanto pelos seus rostos ou diálogos, mas por suas ações cotidianas, banais e, principalmente, por seus objetos de consumo. Mesmo com longas seqüências de imagens fechadas – o que gera uma impessoalidade e uma fragmentação inicial – logo nos acostumamos, nos angustiamos e conseguimos visualizar uma realidade que extrapola as bordas da tela. Vemos um prato de cereal e visualizamos a cozinha, vemos um sapato sendo amarrado e sabemos como é o banheiro. Vemos a televisão ser destruída, o dinheiro sendo jogado pela privada e as datas de óbito anotadas na parede da sala de estar. Haneke perturba porque sempre fica o receio de ter de concordar incondicionalmente com ele. Para os interessados, o filme pode ser facilmente encontrado no fórum Making Off.
Enfim, compareçam hoje se não tiveram nada mais interessante pra fazer.
Abraços,
Rodrigo
SERVIÇO:
Filme Surpresa
Segundo Ciclo de Filmes
Todas as terças-feiras (sempre às 17:00)
Miniauditório 1* / CAC / UFPE
* O Miniauditório 1 fica no térreo do Centro de Artes de Comunicação (CAC). Ao entrarem no Centro e irem em direção à lanchonete, vocês pegam a primeira à direita, onde tem uma lojinha de livros, e já é nesse corredor estranho (do lado esquerdo).

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Caseiro

- E aí, como foi a festa no puteiro?

- Foi boazinha. Só que a Catarina devia desistir dessa história de cantar.

Chaves e o Bigode

Já escutei de tudo nesse mundo desde que assumi o bigode, mas me chamar de Seu Madruga foi sem dúvida o pior comentário de todos. Pegou pesado, Lucas. Principalmente porque, na sequência da comparação infâme no meio de estranhos, tive de escutar uma correção ainda pior: "eita, Seu Madruga, não. Tá é parecido com o Professor Girafales".

Ok, estilei, não sei se o bigode resiste a tanta humilhação.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ciclo de Filmes - Dissenso


Pessoal,

É o seguinte: eu e mais um grupo de amigos, começamos a realizar reuniões semanais, às sextas-feiras pela manhã no auditório do PPGCOM, no intuito de repensar o gerenciamento do blog que apresentei como conclusão de curso no início do ano. Daí, se por um lado resolvemos optar por publicações trimestrais ao invés de atualizações arbitrárias; por outro, estabelecemos que, a cada reunião, um de nós levaria um filme, um tanto obscuro e sempre surpresa, para ser exibido. A única premissa compartilhada internamente no grupo era a de que as obras escolhidas não fossem facilmente encontradas em qualquer prateleira de locadora e, de preferência, que não tivessem comercialização oficial no país. Assim sendo, quase todos os filmes foram baixados na internet e projetados numa tela através de um datashow. Terminou que, em oito semanas, ficamos tão satisfeitos com as discussões e com a curadoria colaborativa, que resolvemos mudar de espaço e horário para melhorar as condições técnicas de som e imagem, quebrar a linha maçônica da exibição e torná-la totalmente pública. E é justamente por isso que comecei a escrever esse recado.

Daremos início ao segundo ciclo de exibições a partir da próxima terça feira (02 de setembro), no Mini-auditório 1, por volta das 17 horas. Todos estão convidados. Marquem este dia e horário na agenda, no Orkut, no celular, pois pretendemos ficar com ele até o final do semestre. E como já virou tradição, o filme é surpresa. Mas só para todos terem uma noção prévia de como ficou a curadoria do primeiro ciclo, as obras exibidas anteriormente foram: Bang Bang (Brasil, 1971), de Andrea Tonacci; Mal dos Trópicos (Tailândia, 2004), de Apichatpong Weerasethakul; tivemos uma sessão dupla com o curta O Homem Perfeito (Dinamarca, 1967), de Jørgen Leth seguido de As Cinco Obstruções (Dinamarca, 2003), de Jørgen Leth e Lars Von Trier; Você Não Está Sozinho (Dinamarca, 1978), de Ernst Johansen e Lasse Nielsen; Lodger (Inglaterra, 1926), de Alfred Hitchcock; Inverno de Sangue em Veneza (Inglaterra / Itália, 1973), de Nicolas Roeg; Millennium Mambo (Taiwan, 2001), de Hou Hsiao-hsien e Sukiyaki Western Django (Japão, 2007), de Takashi Miike. Por fim, gostaríamos de agradecer todo apoio dado inicialmente pelo PPGCOM (em especial toda disposição matinal de Zé da secretaria) e também o apoio dado pelas professoras Ângela Prysthon e Maria do Carmo Nino.

Compareçam.

Abraços,

Rodrigo Almeida


SERVIÇO:
Filme Surpresa
Segundo Ciclo de Filmes
A partir de terça Feira, 02 de setembro (sempre às 17:00)
Miniauditório 1* / CAC / UFPE

* O Miniauditório 1 fica no térreo do Centro de Artes de Comunicação (CAC). Ao entrarem no Centro e irem em direção à lanchonete, vocês pegam a primeira à direita, onde tem uma lojinha de livros, e já é nesse corredor estranho (do lado esquerdo).

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Movimento de Libertação do Sudão

Aí eu acordo, tomo meu lambedor, fico curtindo minha tosse e então resolvo ir pro computador ler alguns jornais. O JC estava sem emoção, o Pernambuco.com também. Depois, por um acaso, eu vi no G1 que um avião sudanês tinha sido sequestrado, quase pousado no Egito, pousou na Líbia e os sequestradores estavam exigindo alimentos e combustível para seguirem para a França. Esse é o tipo de matéria que fico louco acompanhando minuto a minuto. Obviamente entrei no site da Al Jazeera, só que achei muito sem graça quando abri a matéria e vi que o G1 praticamente só tinha traduzido o mesmo material. Sem dar os créditos, o que é bem típico. Então fui pelo outro lado e entrei na CNN em busca de imagens e não achei nem manchete. Só Hillary. Na BBC, a mesma coisa. E então apelo pro Le Monde, afinal Hillary Hillary, mas algum francês jornalista devia estar com o cu na mão e o sensacionalismo na cabeça. Daí tem uma matéria dizendo que os passageiros foram libertados, que só ficaram os tripulantes, que não se sabe se as exigências foram atendidas, que na Líbia não devemos confiar e que a rota do avião definida pelos sequestradores era Paris.

Isso sim que é emoção matinal.

domingo, 24 de agosto de 2008

Bigode

É incrível como um simples bigode pode causar tanta comoção popular, ou melhor e para fugir da hipérbole, é incrível como um simples bigode pode receber tantos comentários distintos que terminam por dizer mais das referências e do imaginário de quem fala ao olhar pra você, do que propriamente de quem está com os pêlos no rosto. Entre os desconhecidos ou semi-conhecidos, ou como quiser chamá-los, a primeira reação notável veio das mulheres coroas que passaram a me encarar na rua e dos homens mais velhos, junto com os porteiros daqui do prédio, que estão me respeitando mais. O porteiro que tinha um cavanhaque cretino virou meu brother. Enquanto isso, boa parte dos rapazes sem ombros e das moças alugadas de minha idade, ou mais jovens e sem pêlos na virilha, fazem piadinhas sem gracinha, acham estranho, feio, riem. Não vou falar da classe dos homens que nunca poderão ter bigodes pra não ofender. Só queria dizer também que absolutamente todos os meus amigos olharam primeiro para o meu bigode, soltaram algum comentário espôntaneo e só depois olharam pra mim, olho no olho. Tem algo de sedutor nisso. Em três semanas, escutei todo tipo de coisa:

- Tu tás detestavelmente cafuçu, Rodrigo. Tira isso.

- Ei do bigodinho, tua cópia ta pronta.

- Tás parecido com o Chico Buarque quando ele era malandro. :D~

- Tu ta imitando o Giba é?

- Tu tás o protótipo do canalhinha, sabia? Daqueles 'cafa' de beira de bar que só espera a mulher ficar bêbada pra chegar na mesa. Com essa boca de puta que tu tem então... Mas vê, bora fazer um clipe da música do Bezerra da Silva? Do canalha, tu topas? Pronto, fechou. Peludo, tu podia trazer outra cerveja e um copo pro rapaz?

- Tás parecendo muito um 'personagem' histórico. Tipo assim, Castro Alves. Quer dizer, Castro Alves, não. Joaquim Nabuco. É... acho que é.

- Oxe, se eu fosse tu, eu deixava estilo texano. Tipo Michael Phelps.

- Afff... que cara de ator de pornochanchada, Deus sagrado. Me dá um cigarro aí, vai.

- Tás a cara do Fred Mercury, alguém já te disse isso né?

- Eita, tás parecendo sabe o que? Hmmm (meia hora depois) lembrei, tás parecendo um personagem de filme de máfia. Um mafioso daqueles filmes antigos.

- Ai Meu Deus, tu tás igual ao meu pai. (meia hora depois) Puta que pariu, tu ta se comportando igual ao meu pai.

Esqueci um monte de outros comentários agora, mas quando eu for lembrando (e ouvindo novos), vou postando gradativamente. Pelo menos, depois de uns 5 dias de bigode e seriamente tentado a voltar pra minha vida normal, li na folhateen da Folha de São Paulo, que o bigode está na moda e resolvi aderir de vez. E agora é a hora que eu faço cara de cafajeste e mando um beijo pra galera. Saiu até no rodapé da matéria 15 modelos famosos - como do nosso querido Chaplin - no intuito de inspirar a variação de estilo da garotada. Esse cara daqui também leu e olha só o que ele comentou: "Li hoje na Folha Teen que tem uma rapaziada 'indie' em São Paulo que resolveu aderir bigode ao visual. A matéria diz que a inspiração vem dos ano 70 e que a volta desta tendência deve-se aos desfiles primavera-verão com clima latino que aconteceram no Brasil e no mundo. Os adeptos que foram entrevistados dizem que o bigode vem reforçar o estilo e fazer uma variação do visual e que ouvem dos amigos manifestos contrários quando cogitam a possibilidade de tirá-lo. O ator Johnny Depp em 'Piratas do Caribe' foi fonte de inspiração para um dos rapazes que deu entrevista". Pois é, acho que já entrei no personagem ideal pro Coquetel Molotov desse ano. E olha que eu estava pensando seriamente em ir de Indiana Jones. Ainda bem que descobri o bigode a tempo: apesar da aventura, que coisa mais fora de moda que seria.

Por essa lista de bigodes, acho que o meu se encaixa entre o do Ringo Star, o do Zorro e o do Gandhi tendendo para algo entre o Santana e o Frank Zappa. Confiram uma foto pra ver se não estou correto. Ok, depois faço um post do bigode só com fotos minhas de verdade. :P

domingo, 17 de agosto de 2008

Diálogo Pós-post

- Poxa, Rodrigo, achei aquele teu último texto malvado demais.

- E foi?

- Foi. Por que tu não apaga ele e coloca no lugar um texto bem bonito na linha "Michael Phelps: O fenômeno das piscinas" ou "Michael Phelps: O mundo te pertence"?

- Err... não, obrigado. A Globo já fez isso...

É uma pena...

...nem vai ter mais a Jader Barbosa de colan correndo, pulando, caindo de bunda e chorando. Tão bonitinha, meu Deus. Soube que ela deu uma entrevista, onde uns jornalistas perguntaram se o nervosismo tinha atrapalhado a performance, e ela respondeu dizendo que a partir dali teria um melhor controle emocional. E chorou. Na verdade, já estava chorando. Que nada, Jader, só te digo uma coisa: você pode até não ser muito boa na ginástica, mas a carinha que você faz quando cai de bumbum no chão, segurando o choro até não aguentar mais e chorar pra caralho, me emociona sempre. Seus olhos tristes são uma beleza. Tô contigo e não abro, garota.

Se tem uma coisa que eu gosto nas olimpíadas são os perdedores e todo discurso do 'estar aqui já é uma vitória'; 'ser o décimo oitavo de dezoito competidores já é uma vitória'; 'estar na classificação geral atrás da Eslováquia, Eslovênia, Jamaica, Nova Zelândia, Coréia do Norte, Etiópia, Zimbábue, Geórgia e Mongólia já é uma vitória".

O Brasil é campeão, fera.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Piada pronta

Como assim George Lucas nasceu numa cidade chamada 'Modesto'?

domingo, 10 de agosto de 2008

Nulo / Branco

Como um bom alienado por opção (ou falta de opção), já estava preparado pra não assistir televisão nas horas erradas (exceto pelos debates), e como era de se esperar, já estou detestando a campanha eleitoral na internet. É candidato querendo ser amigo no orkut, scrap de apoio, você nega, apaga e aparece de novo, e de novo. Pra piorar é spam enchendo a caixa de e-mail, corrente do partido A, B e C, amigos trabalhando pra um, pro outro, outros ainda colocando suas fotos com o número de seus candidatos. Putz, é a explosão da propaganda eleitoral por todos os lados e uma reconfiguração espacial do cabo/prego eleitoral. E só pra constar, Raul Henry, meu querido, eu não quero ser seu amigo no Myspace, ok? Não quero. Favor, pedir pra sua megaequipe não mandar mais convites inoportunos. Obrigado.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

bomba-relógio

Acho que o meu computador entrou em contagem regressiva.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Entreato, de René Clair (1924)

Título Original: Entr'acte. Duração: 22 minutos. País / Ano: França, 1924 (segundo o imdb) Elenco: Jean Börlin, Inge Frïss, Francis Picabia, Marcel Duchamp e Man Ray. Fotografia: Jimmy Berliet Roteiro: Francis Picabia /René Clair Direção: René Clair

Parte 1




Parte 2

quinta-feira, 31 de julho de 2008

La Jetée, de Chris Marker (1962)

Título Original: La Jetée. Duração: 28 minutos. País / Ano: França, 1962 (segundo o imdb) Elenco: Jean Négroni (voz), Hélène Chatelain, Davos Hanich, Jacques Ledoux. Música: Trevor Duncan Fotografia: Jean Chiabaut / Chris Marker Roteiro: Chris Marker Direção:Chris Marker.


PARTE 01




PARTE 02




PARTE 03


terça-feira, 29 de julho de 2008

Jean Pierre Léaud (1958 / 1959)

Não podemos dizer que categoricamente os dois vídeos a seguir se tratam de curtas, pensados como curtas ou com créditos finais de curtas, mas bem que hoje poderiam se encaixar nesse formato tamanho interesse que despertam e tamanha carga afetiva que carregam. Ou que, pelo menos, despertam e carregam em mim. O primeiro mostra os testes de câmera dos apreensivos jovens Jean-Pierre Léaud, Patrick Auffay e Richard Kanayan para o filme Os Incompreendidos, de François Truffaut. É incrível como o alter ego buscado pelo diretor ganha rosto rapidamente no Jean-Pierre e na personalidade do próprio Jean-Pierre. Há uma conexão clara e não é preciso muito para que percebamos isso, basta uma entrevista informal e uma improvisação básica. O Kanayan também merece lá sua menção. O Segundo vídeo é uma espécie de documentário sobre a participação do jovem Léaud no Festival de Cannes de 1959, incluindo uma breve entrevista com o ator sobre Os Incompreendidos e as consequências do filme em sua vida. Gosto muito. Os meus comentários ficam pra depois se é que depois vou ter algum tempo. Por ora, só queria que um movimento simples não se perdesse: em dado momento da entrevista, Léaud passa singelamente a mão sobre a orelha, repetindo sem perceber o gesto que se consolidou como um dos tiques principais do personagem que interpreta, Antoine Doinel, durante toda sua saga.


VÍDEO 01 -
Jean-Pierre Léaud, Patrick Auffay e Richard Kanayan (16 mm / testes de câmera)




VÍDEO 02 -
Jean-Pierre Léaud no festival de Cannes (1959)


Charlotte e seu Jules, de Jean-Luc Godard (1960)

Título Original: Charlotte et son Jules. Duração: 13 minutos. País / Ano: França, filmado em 1958, lançado em 1960 (segundo o imdb) Elenco: Jean-Paul Belmondo, Anne Collette, Jean-Luc Godard (Voz) e Gérard Blain. Música: Pierre Monsigny Fotografia: Michel Latouche Roteiro: Jean-Luc Godard Direção: Jean-Luc Godard.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Godard / Truffaut

Com a gravata desamarrada, afim de fumar um cigarro e com a maior vontade de tirar água do joelho, Godard filma a última cena de Acossado no meio de uma multidão de curiosos. Digo logo que nessa época era diferente e ninguém aí assinou termo algum de autorização de imagem. Agora notem só o naipe da câmera portátil, a expressão de enterro dos anônimos e percebam que o Jean-Paul Belmondo - deitado no chão - estava dando língua pra todo mundo. (Paris, 1959 - créditos da imagem)

Jean-Pierre Léaud com quase 15 anos, entediado, numa mesa de gente velha e mulheres sem charme. Nessa ocasião, ele tomou seu primeiro porre e se questionou várias vezes se fizera a escolha certa ao participar de Os incompreendidos. Sequer imaginava o quão seu personagem, Antoine Doinel, ainda iria lhe render. Enquanto isso, Truffaut, com a maior cara de Roman Polanski e totalmente esquecido da existência do garoto, alarga seus contatos, brinca de seduzir o Jean Cocteau e até se oferece para produzir seu próximo filme. Terminou dando certo: François ganhou o prêmio de direção naquele ano (Festival de Cannes, 1959 - créditos da imagem)

Os Pivetes, de François Truffaut (1957)

Título Original: Les Mistons. Duração: 18 minutos. País / Ano: França, 1957 (segundo o imdb) Elenco: Gérard Blain, Bernadette Lafont e Michel François. Música: Maurice Leroux Fotografia: Jean Malige Roteiro: Maurice Pons / François Truffaut Direção: François Truffaut.


PARTE 01




PARTE 02


Charlotte e Véronique, ou Todos os rapazes se chamam Patrick, de Jean-Luc Godard (1959)

Título Original: Charlotte et Véronique, ou Tous les garçons s'appellent Patrick. Duração: 21 minutos. País / Ano: França, 1959 (segundo o imdb) Elenco: Jean-Claude Brialy, Anne Collette e Nicole Berger. Fotografia: Michel Latouche Roteiro: Eric Rohmer Direção: Jean-Luc Godard.


domingo, 27 de julho de 2008

Atenção

É o seguinte: por conta da demanda de minha persona número 2, ou seja, de minha vida dita séria, acadêmica, financeira, itaú, blábláblá, blábláblá, blábláblá, estou precisando passar menos tempo escrevendo por aqui e ficarei ausente ou semi-ausente da persona número 1 até o final de agosto. Entretanto, como estou putamente viciado nessa história de blog, de falar besteira, de falar sério, de escrever como quero, não vou deixar de colocar postagens novas e, por isso, resolvi disponibilizar diariamente alguns curtas-metragens catados no youtube ou no ubu ou em outro lugar qualquer. Muitos dos quais sequer morro de amores, mas pelo fator reunião de material em um só lugar, acho que vale a pena. É isso aí. Até a volta então.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pêlos do Nariz

Hoje acordei assim: cabelo bagunçado, barba de bode, unhas por fazer.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Experimento 248

Quando minha gata era bem nova, mas bem nova mesmo, quase não tinha pêlos em volta do olho, só cagava no lugar errado e era pouco maior que uma carteira de cigarro. Dado alguns dias, fiquei angustiado por ela ter perdido o contato com suas irmãs-gatas, irmãos-gatos, mãe-gata e por, a partir dali, só ter referências humanas e estranhas. Tipo eu, Juliana e Gabriela. Tudo bem que ela se apaixonou por mim, me escolheu como primeiro dono e vivemos uma grande história de amor, mas esses detalhes de nossa relação não vem ao caso agora. Dolores continuava uma gata com exclusivas referências humanas. Dormia por cima de Truffaut, adorava a trilha de Midnight Cowboys, passava a tarde assistindo A Vida Como Ela É e, quando alguém dava bobeira, corria para morder o vinil do Cartola e do Ave Sangria. Revezando um e outro dependendo do humor. Pensei em levá-la para visitar o gato Nino, ou o gato Valentino, ou mesmo o novo gato Mel Azul, mas a coitada era tão novinha que precisava se acostumar ao novo lar e só a viagem poderia deixá-la ainda mais insegura e desorientada (esses foram os melhores eufemismos para evitar o 'puta-da-vida'). Cheguei ao ponto de até pensar em deixá-la por uma noite e um dia na casa de dona Zefinha, uma vizinha idosa e excêntrica que cria mais de 15 gatos, mas fiquei com medo de Dolores voltar com alguma DST trash e de qualquer forma não sou muito a favor da pedofilia entre gatos. Então, na falta de opção tive a grande idéia para saciar seus instintos sociais felinos com toda segurança possível: na segunda semana de nossa convivência, coloquei a danada ao lado do teclado e abri mil vídeos de felinos no youtube. Miado alto, briga de gato, gata no cio, zoofilia, a porra a quatro de gato. Ok, a parte da zoofilia é mentira e o experimento não deu lá muito certo. Pequena demais, Dolores levou mais sustos do que demonstrou interesse, tentou até se pular de uma altura que não conseguia, mas ao menos cumpriu muito bem seu papel de cobaia e não atacou o cientista-dono-amor dela. O que já é alguma coisa levando em conta as várias marcas de arranhão e mordida que venho acumulando em meus braços. Um a mais ou um a menos faz toda diferença nesse caso.

Depois de dois ou três meses, a ex-gata preta, agora lindamente cinza, está do tamanho de um maço de Hollywood, se tornou uma caçadora exemplar, só bebe água das plantas e não caga mais fora de sua caixinha de areia. Hoje tivemos o experimento número 248. Eu estava sozinho em casa, curtindo o hábito felino da preguiça, jogado na cama, quase dormindo. Dolores resolveu me aperrear sexualmente - o que é de praxe - e mordiscou a ponta do meu dedão do pé. Odeio muito e ela sabe disso. Pior que não adianta expulsar, gritar, pular, porque se a maldita gata quiser voltar e fazer tudo de novo, ela vai voltar e fazer de novo. Foi então que, por falta de opção, tive a grande idéia: gravei minha voz no celular por uns 4 minutos, falando sobre crítica e filmes-adaptação, liguei o viva voz no mais alto possível, coloquei perto da gata e voltei a dormir. Dolores ficou louca. Pra começar fez um barulho que eu nunca tinha escutado: o barulho de briga. O miado é lindo, o ronronar é lindo, mas o barulho de briga é tudo o que eu queria desde que ela chegou aqui em casa. É inspirador. Posso até jogar a peste no mundo depois disso, desde que ela não vá se embrenhar na casa de dona Zefinha. Por sinal, eu já tinha tentado colocá-la pra brigar antes, com o secador de cabelo de Juliana, mas rolou tanto medo por parte de Dolores que não deu certo. Definitivamente minha gata não é um animal tecnológico: odeia monitor, odeia televisão, odeia fone de ouvido e adora fios. Fiquei tão interessado pelo 'grrrrr' ou seria 'tsssss' que perdi o sono e me mantive observando-a até acabarem os quatro minutos. Dolores olhava pra mim, atacava o celular e recuava. Voltava correndo, olhava pra mim, atacava o telefone de novo, recuava e assim ficou até o silêncio. Como gosto de levar meus experimentos até as últimas consequências, coloquei o celular versão viva voz na sala, perto do espaço onde Dolores tinha decidido ser seu cantinho e fiquei espiando da cozinha pra ver como a gata agia sem a minha presença. A danada estranhou um pouco, mas não demorou muito até perder o interesse e perceber que tudo não passava de um tolo experimento. O 248 se fôssemos seguir os numerais a risca. Blasé e mantendo semicerrados seus olhos grandes e verdes, deu na cara que estava me vendo desde o início ridiculamente escondido na cozinha e saiu andando com todo charme de um bom felino feroz. Deitou-se no exato lugar onde eu tentava dormir anteriormente, fez cara de boba, caiu num bocejo longo, longuíssimo e se espreguiçou como se quebrasse cada um de seus ossos. Fiquei boquiaberto com toda situação: a cientista lambia as patas, afiava as unhas no colchão, dominava a cena, enquanto o cobaia assumia a estupidez e pouco a pouco ia saindo de quadro.

Mais Você

Nunca pensei que um dia iria entrar nesses sites de receita de nomes super engraçados, mas desde que estou morando sozinho, essa tem sido uma saída precisa para não cair na dieta do miojo e da água. Nesse meio tempo até aprendi o que significa 'untar a vasilha', aprendi também a fazer purê de jerimum e até já sei fechar a panela de pressão. Sempre em pânico achando que ela vai explodir a qualquer momento, mas tudo bem. Todos sabem que isso é bem normal no começo. Ontem fiz soja e há quase um mês, meu primeiro feijão. Gostei do resultado. Sério mesmo. Por sinal, o feijão tá caro e a charque também - escutei duas donas-de-casa comentando isso no supermercado.

Só tem uma coisa: quando escrevem lá na receita 1kg de batata ou 1kg de qualquer outra coisa que não vem em embalagem marcadinha dizendo 1kg, como é que eu faço pra descobrir o peso certo se não tenho uma balança na cozinha? Sinto que essa parte sempre fica subtendida, só que eu particularmente não entendo. Terminei segurando numa mão as batatas e na outra um saco de feijão, aumentando e diminuindo a quantidade de batatas e fazendo do meu próprio corpo e de minha noção, balança. Daí vocês tiram. Não sei se foi por causa da mentira que a receita ficou mais ou menos ou se perdi o tempo ideal ou se fiz besteira na hora de misturar o leite com o creme de leite, mas é justamente nessas horas que eu meu sinto muito Neville Longbottom. Odeio a aula de poções.

Olheiras

Hoje acordei assim: sem tempo, sem dinheiro, sem amor.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Juventude


Rodrigo, Julya, João, Júnior e o 'H' nosso de cada dia.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

The Dark Knight




Fazia tempo que um blockbuster não vinha com tantos cartazes legais.

1, 2, 3

1.

Desde muito jovem tomei a decisão de não ter filhos. Não por uma aversão simples a crianças, nem para controlar a natalidade do país, mas pelo simples fato de meus irmãos serem coelhos e se multiplicarem antes que eu pudesse ter alguma chance. Só para vocês terem uma idéia, aos quinze eu já tinha 3 sobrinhas e um sobrinho. Dadas as circunstâncias, meu espírito paterno foi dizimado justamente por ter sido posto em prática antes da hora, alavancado pela precocidade da minha irmã e pela diferença absurda entre nossas idades. Puta merda, aos quinze eu já era tio quatro vezes. Minha sobrinha mais velha era como uma irmã mais nova e o seu pai sempre foi uma figura muito presente, mas a do meio e, em especial, a mais nova eram claramente minhas filhas e filhas do meu pai. Levando em conta que o pai de ambas passou vários anos na prisão, eu e meu velho tivemos de ser tios, pais, avós, referência masculina, tudo ao mesmo tempo agora. Infelizmente, por outro lado, mantive pouco contato com o meu primeiro sobrinho, filho do meu irmão e do carnaval de Olinda. O mais novo da trupe, Rodrigo em minha homenagem, é uma graça. Fala, fala, fala, fala, fala e quando se cala, dorme. Semana passada, levei todos para assistir Wall-E no cinema. Foi uma farra.


2.

Poderia continuar fofinho até o fim do texto, mas agora vem a parte punk da história. Digo logo que é bem destoante da primeira. Há vários anos, toda vez que pensava na possibilidade de perder as pernas ou de ficar cego, seja por acidente, seja por derrame, seja por um tiro, naturalmente me vinha a decisão que preferiria morrer. Assim mesmo, pei-buft. Era algo muito certo para mim. Em caso de incêndio, chamem os bombeiros; em caso de acidente, me deixem morrer. Lembro até de um sonho antigo e recorrente em que eu acordava numa cama de hospital (e era o Hospital das Clínicas, por sinal) sem movimento até o pescoço e na primeira visita do meu melhor amigo, eu pedia para ele me levar para o último andar de um prédio e me jogar de lá. Como um bom amigo, ele o fazia sem pestanejar. Estranho que não acordava desse sonho como se estivesse no pior dos pesadelos, sequer tinha o espasmo comum a quedas e tropeços, mas sim como se o devaneio seguisse a naturalidade que eu impunha, obviamente em pensamento, para minha própria vida. Então, aconteceu que semana passada perdi o movimento das pernas e fiquei cego. Rá, mentira. Semana passada, por algum motivo, Gabriela tocou no assunto e me questionou o que eu faria se acontecesse o pior. Novamente defendi que se perdesse minhas pernas ou ficasse cego, preferiria morrer e ponto. 'Quem sabe na próxima vida', pensei. Ela ficou chocada com a resposta e infelizmente tenho de dizer que mudei de opinião.


3.

Comecei esse post porque saí de O Escafandro e a Borboleta (2007), de Julian Schnabel apaixonado pelo Jean-Do (e pelo Mathieu Almaric), decidido a ter um filho - não agora - e me achando estúpido por ter sido, por tanto tempo, superficial diante de uma situação tão delicada. É incrível como podemos ser tão estúpidos num dia e sacar toda estupidez na manhã seguinte. Pois é, nos restava além do olho, a imaginação e a memória. Johnny Vai à Guerra (1971) não me ajudou tanto nesse sentido: o tato como única/última percepção e as lembranças da personagem título só me trouxeram uma angústia sem fim, uma vontade de morte, e não vou buscar similaridades entre ambas as obras apesar da tentação fácil de fazê-lo. A experiência do Dalton Trumbo (também roteirista de Spartacus) me foi destrutiva, muito destrutiva, daquelas que corroem internamente durante a projeção e que permanece por um bom tempo depois (algo que Lars Von Trier sempre tenta), enquanto a do Schnabel me inundou de uma alegria despreocupada pela vida. Acho que as reações são opostas. Pois é, o Escafandro e a Borboleta é um filme triste, mas que me fez um bem danado: estava sozinho e chorei seis vezes. Uma delas só pela aparição do Max von Sydow (que você deve lembrar dos filmes do Bergman). Poderia até dizer que achei a obra imperfeita, com cenas simples e profundas seguidas de alegorias redundantes ou mesmo poderia criticar o excesso de tiques-movimentos-de-câmera-plongé-contra-plongé, mas dentro de uma experiência intensa a ponto de soluçar e ficar com os mesmos olhos embaçados do personagem pós-coma, os detalhes técnicos são o que menos importa. Ainda bem que, diferente da primeira cena, o final do filme se encaixa num desses detalhes que continuam detalhes e não trazem afeto. Deu até tempo de me recompor e sair com a velha cara blasé de sempre.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

cruzada.de.branco



Cruzada de branco. Uma partida de dominó e contas desesperadas. Vídeo assumidamente precário, fundado numa tosqueira produtiva e inspirado na idéia de Sofia de que podemos realizar uma micro-produção por dia. Seja qual for o resultado. Nem preciso dizer, mas vou dizer mesmo assim, que o custo total foi zero, nada foi ensaiado, a câmera era emprestada e a edição foi feita no Windows Movie Maker. O melhor são os vídeos relacionados que surgem ao fim: tem pastor Silas Malafaia, Cruzada dos Milagres em Natal e o trailer de Indiana Jones e a Última Cruzada.

domingo, 13 de julho de 2008

Curto & Grosso

José Teles é um boêmio vespertino dos bons e não só pelo bar, e sempre penso no 'frontal', ser o cenário perfeito da maioria de suas crônicas, mas principalmente pelo jornalista imprimir, re-imprimir e re-inventar semanalmente um tom irônico-etílico-despojado como poucos. Suas palavras sempre oscilam acima do nível de álcool permitido, nunca apelam para um bom mocismo social-religioso e sempre nascem encorpadas de uma experiência pessoal profunda, o que o destoa completamente das notícias-matérias-sei-lá-o-que, digamos, 'anônimas'. José Teles é parte reconhecível de seu próprio texto, 'minha senhora'. Ele se garante: enquanto séries e séries de reportagem do mesmo Jornal do Commercio legitimam, reforçam, referendam a proibiçãodo fumo ou mesmo a recente e exagerada lei seca, o jornalista baixinho de óculos está lá, sozinho, se colocando do lado da fumaça soprada e pelo direito de beber. Eu assino embaixo.

Leio a coluna do José Teles todos os domingos de manhã. Com ou sem ressaca.