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domingo, 17 de agosto de 2008

Diálogo Pós-post

- Poxa, Rodrigo, achei aquele teu último texto malvado demais.

- E foi?

- Foi. Por que tu não apaga ele e coloca no lugar um texto bem bonito na linha "Michael Phelps: O fenômeno das piscinas" ou "Michael Phelps: O mundo te pertence"?

- Err... não, obrigado. A Globo já fez isso...

É uma pena...

...nem vai ter mais a Jader Barbosa de colan correndo, pulando, caindo de bunda e chorando. Tão bonitinha, meu Deus. Soube que ela deu uma entrevista, onde uns jornalistas perguntaram se o nervosismo tinha atrapalhado a performance, e ela respondeu dizendo que a partir dali teria um melhor controle emocional. E chorou. Na verdade, já estava chorando. Que nada, Jader, só te digo uma coisa: você pode até não ser muito boa na ginástica, mas a carinha que você faz quando cai de bumbum no chão, segurando o choro até não aguentar mais e chorar pra caralho, me emociona sempre. Seus olhos tristes são uma beleza. Tô contigo e não abro, garota.

Se tem uma coisa que eu gosto nas olimpíadas são os perdedores e todo discurso do 'estar aqui já é uma vitória'; 'ser o décimo oitavo de dezoito competidores já é uma vitória'; 'estar na classificação geral atrás da Eslováquia, Eslovênia, Jamaica, Nova Zelândia, Coréia do Norte, Etiópia, Zimbábue, Geórgia e Mongólia já é uma vitória".

O Brasil é campeão, fera.

sábado, 21 de junho de 2008

Eurocopa e a Colonização

Gostaria sinceramente de passar alguns posts sem comentar de futebol ou derivados, mas não tenho como me ausentar diante da transmissão estapafúrdia da Eurocopa feita pela Rede Record. Está acabando, mas aproveitem, cada partida acumula constrangimentos ao vivo daqueles que terminam no youtube e se tornam o vídeo viral do momento. Não vou discutir aqui se os jogos deviam ou não estar na grade de programação da televisão brasileira, se é um absurdo estarem no lugar de uma produção nacional ou todo blá blá blá paradoxal das cotas. Alguns defendem, outros não e a vida continua. Por ora, prefiro me ater à forma como o narrador insiste em costurar um sensacionalismo muito desprendido da realidade, uma realidade vista diretamente pelo espectador, ao comentar, por exemplo, que todos os jogos, inclusive o empate sem gracinha e sem belas jogadas entre Polônia e Áustria, estão se firmando como 'grandes espetáculos'. É notável a influência radiofônica do exagero e da rapidez num sentindo de manter o ouvinte atento, o que se mescla a um discurso colonizado patético que termina por erguer a Eurocopa ao patamar de 'mais que futebol', onde absolutamente todas as partidas 'vão entrar pra história do futebol mundial'. Nostradamus já dizia que no dia em que Eslovênia e Letônia forem grandes clássicos do futebol, o mundo realmente não terá mais chance diante do juízo final. Nos primeiros jogos que eu vi, imaginei que o narrador estava tão egolombrado por ter conseguido aquele emprego que, além de tudo, criava um mal estar com os comentaristas até que percebi que a cada jogo, tem o comentarista fixo, um ex-jogador, e outro convidado escolhido de uma maneira completamente arbitrária. Tipo, o jogo é Itália e Romênia aí chamam um ator nascido na Itália pra comentar. Sério. Ah sim, esqueci de comentar, mas pelo que já escrevi, vocês devem ter percebido, que a equipe obviamente está fazendo a transmissão assistindo pela televisão diretamente do Brasil. Os erros são inúmeros, o jogador X vira o Y depois vira Z e isso para não falar que o narrador claramente escolhe algumas seleções pra torcer e fica insistindo para que o telespectador o acompanhe na torcida. Portugal era a seleção queridinha por causa do treinador brasileiro, pelo compartilhamento da mesma língua e por ter em seu time Cristiano Ronaldo, 'a estrela maior da competição'. Realmente se existe um manual de transmissão de jogos da Record, ele só pode ter sido escrito por um humorista irônico com nosso complexo de colonização.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Corinthians 3 X 1 Sport

Essa coisa de torcer não dá certo. Sempre gostei de futebol, sou meio alucinado por Copa do Mundo, mas no tempo do colégio só conseguia ganhar mesmo na feira de ciências e no xadrez. Ok, também ganhava no videogame e no War, mas esse último não valia medalha, nem glória nerd e quase sempre eu deixava meu lado ladrão descarado entrar em campo. Tudo bem que hoje se joga com a troca de cartas assumida, mas na minha época tudo era por debaixo da mesa. Eu sou meio assim: todo jogo desses bobos, principalmente com gente boba e que dá pra roubar, eu roubo mesmo. E quando é jogo de cartas então, com blefe, tapa na testa, troca de cartas por debaixo da mesa, caio na jogatina total. Pensando hoje fica meio como coisa de brasileiro: a culpa não é minha, a culpa é de quem não é esperto e se deixa roubar. Quem por exemplo nunca roubou dinheiro no Banco Imobiliário ou no Jogo da Vida? Hoje eu já teria conquistado de verdade a América do Sul, a Europa e um terceiro continente a minha escolha. Nem preciso dizer que gato por lebre é fichinha. Bom mesmo era no tempo da bolinha de gude, quando eu estava perdendo e gritava ou alguém gritava 'olha o rapa' e pegava as bolinhas dos amigos pivetes e corria pra casa. Sempre tinha um loser chorão que ia contar pra mamãe. Ficava puto, afinal eu também era loser e nem por isso era chorão. Eles não entendiam que 'o rapa' era só outro jogo. Também existe uma lógica de que quando encontrava um igual, não me arriscava a roubar ou já partia pra formação de quadrilha. É como um trato de respeito ao bom adversário, um trato de malandro. Mas sim, voltando ao futebol, ano passado eu estava cagando e andando pro Sport - aparentemente o meu time do coração desde pequeno - fui até pra alguns jogos do Náutico, mas depois do dia 31, fiquei do tipo o torcedor rubro-negro número 1. Só não vou pra campo, porque aí já é demais pra mim. Só entro em campo se for pra jogar no gol e ser campeão, mané. tipo na Copa Paulo Francis do pessoal de jornalismo. Mas no caso do Sport pelo menos sei o nome dos jogadores, sei quem é bom, sei quem é ruim, xingo, faço comentários macho alfa, dou dicas de estratégia e não podia deixar de dizer que puta merda, eu odeio o Corinthians. Muito mesmo. Também é um ódio desde pequeno. ok, estou tentando esconder que to puto porque o Sport perdeu ontem, mas vale dizer que fico mais puto ainda porque o Timão é simplesmente a equipe brasileira de futebol que mais aparece na televisão aberta e que tem mais repercussão na mídia do país. Pelo menos para o nordeste e não é de hoje, de ontem. Como pode? No time do Corinthians ladrão é bóia de tal modo que fica difícil não pensar que o juiz ta comprado, que tal e tal jogador pode ta comprado também. Tento não pensar mais fica difícil diante da história do futebol brasileiro. A equipe está sempre envolvida nas maiores mutretas do futebol brasileiro e mesmo rebaixado, tripudiado continua tendo jogo transmitido e sempre ocupa um espaço religioso em todos os programas esportivos da paróquia. Isso também me parece um jogo barra pesada. Definitivamente essa coisa de torcer não dá em nada, principalmente quando o seu time não joga nada, tudo parece roubo e quando você vê, você está diante do time que mais odeia do país. Por que mesmo Lula torce pro Corinthians? Abuso geral.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Mais proibições

Agora a era das proibições chega ao futebol: a comissão nacional de arbitragem vai proibir comemorações direcionadas para a torcida adversária e os gestos que tenham algum teor de obscenidade. Tudo isso será decidido pelo juiz, inclusive o que é obsceno e o que não é dependendo da moral de cada um deles. A idéia estúpida é do senhor Sérgio Corrêa da Silva¹, presidente da instituição aqui citada. Odeio essa mania de menosprezar o espírito do jogo, da jogatina, da rivalidade, da tensão, do mau agouro, do desafio e da recompensa. O que seria do Pôquer sem o blefe ou do truco sem a carta lambida enfiada na testa? O que seria do Brasil e Cuba no voley feminino sem um xingamento ou a decisão no tie break? E assim vai...

o_O

Perae... querem tornar o futebol um esporte ainda mais mecânico e frio, mais do que já vem se tornando nos últimos anos. Isso me deixa puto. Pra mim, a comemoração existe é para o cara explodir mesmo e cada um explode de maneira diferente, uns gostam de ir jogar a camisa pra própria torcida, outros preferem dar cambalhota, agradecer a Deus, pular, mandar recado na câmera, outros ainda preferem dançar o créu, beijar na boca do amigo ou mandar os adversários calarem o bico. E nada mais justo, afinal é pros torcedores ficarem mesmo calados (ou derramarem lá suas lágrimas sofridas ha-ha-ha) no momento do gol adversário, em respeito ao cara que levou o jogo ao ápice. Ninguém suporta um 0 X 0. É frustrante.

Afinal não é o gol o grande momento do futebol? A comemoração tem de seguir na mesma linha, até porque mesmo o gol adversário é o que define a mudança de espírito para ambos os times. Superação pra quem ta perdendo e segura o cu pra quem ta ganhando. Acho que os árbitros deviam logo proibir os jogadores de correr pelas laterais do campo, depois proibir de ter possíveis jogadas que terminem em impedimento, probir o pênalti, proibir os atacantes de fazerem gol, proibir as torcidas de entrarem nos estádios, proibir o futebol, proibir todos os jogos, proibir que passem vídeos do Elvis porque o jeito como ele remexe a pélvis é muito obsceno... love me tender, fucking bitch.

Deviam era proibir os árbitros de abrir a boca pra ditar as regras do futebol. Quem tem que fazer as regras são os jogadores ou ex-jogadores ou mesmo a torcida, os árbitros só precisam aplicar o que for decidido. Ou fazer comentários na TV.

O que será que o Arnaldo César Coelho ou o Kilber Alves têm a dizer sobre isso?



1 - Com vocês uma frase do obsceno Sérgio Corrêa da Silva sobre o assunto - na matéria ainda dizia que ele não tinha medo de ser chamado de conservador: - "O 'créu' é completamente incompatível com os moldes da boa educação. Acho até que é algo obsceno. Mas sabemos que há uma permissividade para esse tipo de música na nossa sociedade. Vai caber ao árbitro ter sensibilidade no momento da comemoração do atleta e avaliar se está havendo algum tipo de exagero ou afronta ao sentimento alheio".


A palavra 'obsceno' por si só já traz um discurso conservador implícito. O problema da violência nos estádios realmente não nasce na obscenidade - seja qual for o significado aplicável dessa palavra, menos ainda a partir do estímulo dos jogadores. É querer transferir o holofote do erro para o lado errado. O que é bem típico dos discursos conservadores. Daqui a pouco, o jogador faz o gol e vai ter 6 segundos até voltar pro seu lado do campo para o jogo poder ser reiniciado.

domingo, 16 de março de 2008

Clássico 2

Nelsinho Batista deu um fora muito bom no André Galindo e os jogadores do Sport fizeram o gesto do choro para torcida do náutico.

Agora a guerra vai ser na rua.

Clássico

As transmissões de jogos locais são super divertidas. Não digo isso só pelo tosco, mas também pelo tosco. Adoramos os erros técnicos do tipo falha de som ou "vamos escutar agora o hino..." e demora, demora, fica um silêncio constrangedor e finalmente toca o hino, adoramos o comentarista de arbitragem que parece mais um bêbado e confunde o nome de todos os jogadores - sendo sempre corrigido na sequência pelo Rembrant, o locutor - e até relevamos as piadas e informações sem graça do André Galindo - apesar de que quando elas se repetem e se tornam matéria ficam insuportáveis. Podem conferir amanhã, pura infâmia. Mas além do tosco um detalhe me chamou a atenção. Nas transmissões locais, a globo daqui valoriza a existência das várias câmeras em campo de uma maneira muito louca, até desordenada. Existe uma mudança constante de uma câmera para outra durante o próprio jogo, algo que pouco acontece nas transmissões nacionais e que quebra um pouco com o costume do plano aberto, da visualização completa do campo (visão apropriada pela maioria dos jogos de videogame também). Mesmo na preparação da partida já tinha percebido essa diferença. Só para se ter uma idéia, antes de começar o clássico entre o Náutico e o Sport, a Globo fez uma sequência de imagens editadas ao vivo, fazendo a linha preparação da batalha. Lembrei das cenas pré-batalhas de O Gladiador, Alexandre e afins. Daí mostrava os dois times de todos os ângulos, o árbitro, os brasões, as torcidas, as bandeiras. Chegou no ponto de filmarem ambos os técnicos em contra plongé, com a câmera na altura do gramado circulando cada um deles. O melhor é que a câmera às vezes tremia muito por conta dos movimentos inusitados que eram usados. Num desses contra plongés, a câmera chegou a cair. Muito bom. Preciso ressaltar que ao fundo tocava o hino de Pernambuco. Praticamente a batalha dos Guararares, a revolução de 1817. O jogo é narrado em ritmo de guerra mesmo. Achei muito legal isso, muito mais humano que aquela idéia da perfeição, do padrão globo de qualidade, da moralidade, de mostrar as famílias e ficar re-afirmando "esse é o jogo da família, um domingo da família". Aqui a pedra fundamental é a rivalidade. Não se perde a idéia de jogo, no sentido de confronto em nenhum momento. A edição super frenética me deixou super torcedor frenético. Romerito é ídolo, Ticão é traíra e Magrão é o melhor goleiro do Brasil.

Só acho que ao invés de chamarem a Geórgia Kirilos devia soar uma vinheta: "Geóoorgia, a carniceira dos pantânos frios das noites do Deus Satã... Oi Rembrant, estou aqui com beltrano do náutico e queria perguntar 'qual foi a maior dificuldade do jogo?". Fiquei escutando Ave Sangria durante o jogo. Também recomendo.

Isso sim é programação de domingo.

Ps.: O que são aqueles torcedores que ficam na grade da arquibancada xingando e fazendo cara feia para os jogadores do time adversário quando estes vão bater lateral e escanteio? Perae po... muito engraçado. Fico com medo de reconhecer alguém hahahahaha.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Ginástica

De vez em quando acontece de eu assistir alguma competição e reagir como se estivesse vendo a um dos grandes filmes de Bergman. Recentemente, vibrei assistindo o jogo do Peter Sampras com o Federer, antes disso lembro muito de um jogo Brasil e Itália que terminou 3x3, mas nunca pensei que iria chorar ao descobrir que a Nádia Comaneci era realmente foda.


sábado, 20 de outubro de 2007

Barrichello não se acha perdedor

Adoro essas manchetes que parecem lhe encontrar, não o contrário, especialmente porque você lê e tem certeza absoluta do contrário em meio a um sorriso leve. Li e pensei: “loser”. Aí li a matéria e pensei “loser²”.

Alguns trechos comentados:

A imagem é sim diferente daquela do Ayrton Senna, de acordar e ter a emoção da vitória. Estou longe de ser perdedor, principalmente dentro das pistas.” Por favor, né? Se ele esta “longe de ser perdedor, principalmente dentro das pistas”, imagine fora delas como deve ser. Pé de chinelo total.

Não sinto na rua a rejeição que é passada como uma coisa que existe”. Acho que é uma questão de significado das palavras. De fato, rejeição é uma coisa, pena, desencanto são outras. Ninguém nunca vai jogar tomates, ovos e berinjelas no Rubinho. Ninguém o odeia. Até porque pra desenvolver ódio precisa de um sentimento mais intenso e na velocidade que o Rubinho vai, nada consegue ser muito intenso.

Contribuí para que a F-1 pudesse ser um pouco mais aberta ao público, foi a (corrida na) Áustria, quando tive que deixar o Michael passar. Isso fez com que as regras de hoje fossem mais abertas, A FIA, agora, escuta o rádio. De certa forma, isso é uma contribuição’, acredita o brasileiro”. O cara passa anos na Fórmula 1 pra dizer isso? Ok, dá pena, mas dou apoio afinal é bom continuar acreditando firme-e-forte nisso. Tudo pela auto-estima.

Loser³

Mas vamos considerar também, que quando se tem Galvão Bueno narrando cada uma de suas merdas, com comentários tão particulares, por alguns anos, tudo se torna muito pior. E outra coisa que me intrigou foi: como o jornalista chegou nesse assunto com o Rubinho? o_O

Jornalista:
"Rubinho... você se acha um perdedor?"

Rubinho:
"Não, eu não me acho um perdedor".